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25/01/2006 - 19h40

Notas de dólar revelam como uma pandemia de gripe pode se espalhar

Por Richard Ingham PARIS, 25 jan (AFP) - Um site da Internet que rastreia o movimento das notas de dólar mostrou como preparar defesas contra a temida pandemia de gripe. O estudo será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature.

No passado, a pandemia de gripe se espalhou de maneira relativamente lenta porque ou ocorreram na era do vapor ou do cavalo-força, ou numa época em que as viagens de avião e de carro eram restritas aos ricos.

No século XIV, por exemplo, a praga conhecida como "Peste Negra" avançou apenas alguns quilômetros (milhas) por dia, dando às comunidades tempo para evacuar a área ou se preparar, ainda que precariamente, para sua chegada.

Mas a situação hoje é muito diferente.

Viagens transfronteiriças e estradas modernas podem ajudar o vírus da gripe a se expandir pelo mundo num curto espaço de tempo -- talvez em alguns poucos dias se o início da transmissão ocorrer de forma desapercebida num grande ponto de encontro de transportes.

Assim, o grande desafio é descobrir como, quando e para onde as pessoas estão indo.

Esta informação poderá ajudar a identificar, tratar e isolar as pessoas potencialmente expostas ao patógeno. Isto também ajudaria a reduzir o risco de pânico -- a maior causa dos prejuízos econômicos numa pandemia -- e economizar recursos médicos.

É neste ponto que entra George Washington. Ou, mais precisamente, a face de George Washington que aparece na moeda americana.

www.wheresgeorge.com/) tem um exército de seguidores nos Estados Unidos que, apenas por brincadeira, anotam o número das notas de dólares que chegam às suas mãos.

Quando outra pessoa entra com o mesmo número, o deslocamento da nota pelo país pode ser rastreado. Às vezes, a nota aparece em lugares inesperados.

Um trio de físicos alemães teve a idéia de criar o site 'Where's George' como um meio para entender como as pessoas viajam.

Eles descobriram que notas seguiam caminhos aleatórios em pequenas distâncias, com ocasionais grandes distanciamentos, e havia longos períodos entre cada deslocamento.

Num estudo de caso de notas colocadas no site em Seattle, New York e Jacksonville na Flórida, a grande maioria das notas (52-71%) havia se deslocado menos de 10 quilômetros (seis milhas) uma noite depois.

Apenas um pequeno número, entre 2,9% e 7,8% das notas, haviam se deslocado a uma distância maior do que 800 quilômetros (500 milhas).

Menos do que um quarto das notas que entrarm em Omaha, Nebraska, viajaram mais do que 800 quilômetros nos primeiros 100 dias de registro no site.

Mais da metade viajou uma distância intermediária de 50-800 quilômetros. E 20% permaneceu num raio de 50 quilômetros de Omaha um ano depois.

Esses dados derrubaram o modelo padrão de epidemiologia, que sugere que os vírus se dispersam num movimento semelhante ao de uma onda, movendo-se em fases sobre áreas geográficas de uma forma similar à da expansão de partículas de areia fina na superfície da água. Este modelo serviu para explicar pandemias passadas, mas não as atuais ou as que estão por vir, quando as viagens são mais rápidas e os meios de transporte são muito variados, dando mais opções para as pessoas.

"As conseqüências desses resultados é que novos conceitos teóricos devem ser desenvolvidos para entender a expansão geográfica das doenças moderna", diz um dos três autores, Dirk Brockmann, do Instituto Max Planck. Hoje, surge a percepção de que o movimento humano -- apesar de seu caráter aleatório -- pode ser matematicamente previsível se importantes parâmetros locais puderem ser fabricados.

"Estamos otimistas com a possibilidade de que essa descoberta possa aperfeiçoar as previsões sobre a expansão geográfica da epidemia", disse o outro autor, Theo Geisel.

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