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08/02/2006 - 18h26

Vinte e cinco anos depois, a ciência ainda luta para vencer a Aids

Por Jean-Louis Santini DENVER, EUA, 8 fev (AFP) - Vinte e cinco anos depois do surgimento da Aids, a comunidade científica reconhece a dificuldade de criar uma vacina capaz de enfrentar um vírus mutante ou medicamentos que possam curar a infecção.

"Criar uma vacina para impedir a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou pelo menos limitar seu potencial patogênico (...) representa um dos maiores desafios de nossa época", disse Bette Korber, pesquisadora dos Laboratórios Nacionais de Los Alamos (Novo México, sudoeste) em seu discurso de abertura da 13ª Conferência Anual sobre os retrovirais (CROI).

"O vírus HIV é extraordinariamente variado no mundo, evolui rapidamente num único indivíduo infectado e muda para escapar das defesas imunitárias do organismo durante uma mesma infecção", acrescentou diante de 3.900 pesquisadores e médicos de todo o mundo, que reunidos desde o dia 5 até este 8 de fevereiro em Denver (Colorado, oeste) na principal conferência científica sobre a Aids.

"Precisamos de novas idéias para combater uma doença contra a qual não existe uma vacina eficaz", observou Stephen O'Brien, pesquisador do laboratório de estudos da diversidade do genoma humano no Instituto Nacional do Câncer, durante uma entrevista coletiva à margem do encontro do CROI.

A comunidade científica reconhece que ainda não há remédios para curar a infecção, "e os anti-retrovirais que desenvolvemos" para reduzir a carga viral "produzem efeitos secundários" sérios de toxicidade no sistema cardiovascular e no metabolismo, acrescentou.

"Nada disso pode ser satisfatório para as 40 milhões de pessoas infectadas no mundo", das quais 3 milhões morrem a cada ano, acrescentou este pesquisador, expressando a esperança de que um dia as pesquisas em curso descubram uma cura para a infecção.

Mais de 90% dos casos de infecções de Aids ocorrem em países em desenvolvimento, sobretudo na África subsaariana, onde a pobreza e a falta de infra-estrutura médica tornam difícil o acesso a terapias triplas com anti-virais (combinação de três drogas) que permitam conter o vírus.

Nos últimos anos foram feitos 60 ensaios clínicos para testar cerca de 30 fórmulas. Em maio de 1997, o então presidente americano Bill Clinton elegeu como prioridade nacional a criação de uma vacina contra a Aids em 10 anos.

Uma das técnicas potencialmente promissoras para produzir uma vacina que proteja contra todas as variedades do vírus consiste em detectar fragmentos comuns à maior quantidade possível de cepas do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), para criar uma vacina capaz de ativar a imunidade celular.

"Os resultados teóricos nos levam a considerar que uma pequena quantidade de proteínas poderia ter o potencial de dar uma proteção global contra o HIV", observou Bette Korber.

Por sua vez, o Instituto Pasteur, que também trabalha nesta direção, lançou um projeto financiado, em parte, pelo Instituto Nacional Americano da Saúde, que busca elaborar uma vacina contra a Aids a partir da vacina contra o sarampo, cujo genoma do vírus atenuado seria combinado com dois ou três genes do HIV.

A vantagem desta técnica é o baixo custo da vacina, ideal para os países em desenvolvimento, os mais afetados pela Aids, sublinhou o instituto.

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