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15/02/2006 - 11h00

Conquista do Grande Norte foi um estímulo para o homem pré-histórico

Por Wilem Bischof PARIS, 15 fev (AFP) - A conquista do Grande Norte pelo homem pré-histórico começou há meio milhão de anos e representou um estímulo sem precedentes à evolução e ao potencial criativo da espécie humana, afirma um artigo publicado nesta quarta-feira pela Academia Francesa de Ciências.

De acordo com o historiador canadense Patrik Plumet, autor do estudo e professor na Universidade de Quebec, em Montreal (Canadá), o homem de origem tropical (africano) avançou para o norte aproveitando a emersão das terras durante o período glacial.

Até a latitude do Mediterrâneo, os primeiros humanos provenientes do berço africana, como o "Homo erectus", se viram submetidos a poucas mudanças climáticas e ecológicas.

No entanto, mais ao norte, tudo foi diferente. O clima se tornou mais duro: a duração dos períodos frios se tornou maior do que a dos ciclos quentes e, por isso, as glaciações e o desenvolvimento dos "indlandsis" (terras interiores geladas) determinavam as zonas acessíveis para o homem.

O nível geral dos mares baixava à medida que as geleiras aumentavam, favorecendo a emersão de pequenos planaltos continentais, por exemplo ao redor das ilhas que atualmente formam a Indonésia.

Durante as etapas mais frias, o "Grande Norte" (termo com o qual Plumet se refere às zonas geográficas onde os humanos enfrentaram condições climáticas similares às do Ártico na atualidade) registrou temperaturas médias de 30 graus negativos, que chegavam a -45 graus no inverno e entre 10 e 13 graus no verão.

"O homem se aventurou longe, até o norte, antes de dispor de roupas e talvez do fogo, utilizado de forma doméstica há pouco mais de 50.000 anos", garante o especialista canadense.

Plumet baseia sua argumentação no fato de que os fueguinos (habitantes da Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina) viviam quase nus na neve e que os esquimós de Caribu, no Grande Norte canadense, quase não usavam a lâmpada de óleo para aquecimento no inverno.

Os pioneiros pré-históricos, astutos caçadores atraídos pela riqueza da fauna do Grande Norte (mamutes, bisões, cavalos, renas), foram "o fruto de uma seleção de capacidades mais intelectuais, sociais e culturais que físicas", afirma o especialista.

"Cabe concluir que as dificuldades e os riscos são fatores da humanidade?", questiona o autor no artigo.

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