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20/02/2006 - 17h37

Ciência mobiliza clero para defender Darwin perante os criacionistas

Por Jean-Louis Santini SAINT LOUIS, EUA, 20 fev (AFP) - A comunidade científica americana planeja intensificar seus esforços educacionais públicos em resposta ao movimento popular a favor da tese divina da criação do mundo, que se opõe à teoria da evolução das espécies de Darwin, mobilizando para isto o clero católico e protestante.

No fim de dezembro passado, a decisão de um juiz federal da Pensilvânia (leste) de que o ensino da biologia que menciona a origem divina da criação do mundo era inconstitucional, foi considerada "uma derrota" para os defensores do "desenho inteligente", promovido pelo criacionismo, avaliou domingo Eugenie Scott, diretora do Centro Nacional para a Educação, uma importante organização americana de professores e cientistas.

Outros conselhos educacionais locais, que são eleitos nos Estados Unidos, não poderão mais impor um ensino da tese neocriacionista nas escolas públicas sem serem imediatamente condenados pela Justiça, explicou Scott à imprensa, paralelamente à conferência anual da associação americana para a promoção da ciência (AAAS, na sigla em inglês), a maior organização científica mundial.

Na semana passada, um conselho de educação de Ohio (leste), se retratou por um programa de ensino que havia aprovado em 2004 e que autorizava aos professores de ciências das escolas estimular seus alunos a questionar certos aspectos da evolução.

"Mas tudo isto não significa que o 'desenho inteligente' (Intelligence Design) tenha morrido", acrescentou Eugenie Scott, destacando que "este movimento social religioso é muito popular" nos Estados Unidos.

"Conhecemos este problema há muito tempo, suas raízes são profundas na sociedade e será necessário muito tempo para extirpá-las", acrescentou.

Segundo ela, "a solução última é uma melhor compreensão pelo público americano da natureza da ciência e da teoria de Darwin" e para realizar esta tarefa "a comunidade religiosa deve desempenhar um papel importante".

É preciso compreender "que é possível ser fiel e aceitar a teoria da evolução", acrescentou Scott. "É tempo de reconhecer que a ciência e a religião não deveriam nunca estar uma contra a outra", insistiu, por sua vez, Gilbert Omenn, presidente do AAAS e professor de medicina.

O clero protestante já se mobilizou. Warren Eschbach, professor de teologia luterana na Pensilvânia, que estava em Saint Louis no fim de semana para a conferência científica, já conseguiu o apoio de mais de 10.000 pastores a favor da teoria da evolução. "Uma teoria rigorosa sobre a qual repousa a maior parte do conhecimento humano", destaca em sua petição.

Intelectuais católicos também se uniram a este movimento que busca reconciliar Deus e Darwin aos olhos das massas populares americanas.

"O desenho inteligente é um movimento que rebaixa Deus a uma espécie de engenheiro", disse à imprensa George Coyne, sacerdote e astrofísico que dirige o Observatório do Vaticano, uma das instituições mais antigas de pesquisa astronômica mundial. "Trata-se de um Deus que ama, que é condescendente, não um engenheiro", acrescentou Coyne. "A ciência nos esclarece sobre o universo, não sobre Deus", acrescentou.

Pouco antes de ser eleito Papa, Bento XVI havia manifestado claramente em artigos uma posição similar, informando que "a teoria da evolução não é incompatível com os ensinamentos católicos".

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