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24/02/2006 - 15h12

Apelo à unidade nas preces de sexta-feira; medidas de segurança no Iraque

Por Nadra Saouli=(FOTO)=BAGDÁ, 24 fev (AFP) - As orações de sexta-feira foram realizadas em meio à calma no Iraque, depois da imposição do toque de recolher, num momento em que manifestações em prol da unidade entre sunitas e xiitas aconteciam nas cidades xiitas do sul do país.

Para evitar que se repitam novos incidentes após as violências inter-religiosas que se seguiram ao atentado de quarta-feira contra um mausoléu xiita em Samarra, ao norte de Bagdá, o primeiro-ministro, Ibrahim Jaafari proibiu o porte de armas sem autorização.

Na cidade sunita de Samarra, o imã sunita Ahmad Dayeh, liderando uma multidão de fiéis, tentou várias vezes rezar, sem sucesso.

Entrincheirado em uma mesquita do centro da cidade, ele considerou que o atentado de quarta-feira era "um complô contra a cidade", e que era preciso "ficar unidos para não cair na armadilha dos instigadores desse complô", instigadores que o imã não designou.

Nas regiões xiitas, os imãs isentaram em suas orações os sunitas de qualquer culpa neste atentado e acusaram os "terroristas partidários de Saddam Hussein e os takfiris", extremistas sunitas.

"Esse crime foi cometido pelo inimigo comum dos xiitas e dos sunitas. Temos que afirmar nosso desejo de viver juntos, de maneira pacífica e fraterna", declarou na cidade santa xiita de Kerbala o representante do aiatolá Ali Sistani, Abdel Mehdi al-Karbalai.

Em Kut, Nassiriyah e Hilla, os imãs lançaram apelos "à unidade e à rejeição das lutas internas".

Em Kufa, o movimento do líder xiita radical Moqtada Sadr promoveu uma manifestação para "se opor às tentativas de semear a dissensão" entre os iraquianos. "É preciso ter paciência", disse o imã Aus al-Khaffaji ao se dirigir aos manifestantes.

O imã da mesquita da cidade santa xiita de Najaf, o xeque Sadreddin al-Kubbanji, criticou duramente o embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Zalmay Khalilzad.

"Algumas embaixadas estrangeiras fazem declarações irresponsáveis que reforçam o terrorismo, que estava se enfraquecendo", denunciou o imã, membro do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), um poderoso partido xiita conservador.

Ele qualificou o embaixador americano de "sectário com origens sectárias", em alusão a suas origens afegãs e sunitas.

Na segunda-feira, Khalilzad havia considerado que "o problema fundamental no Iraque é um conflito étnico e comunitário". Ele havia afirmado que os ministros do Interior e da Defesa não deviam ser "nem comunitários, nem ligados a milícias".

Nas mesquitas sunitas, o tom também era de calma. Em Baaquba, ao nordeste de Bagdá, o xeque Chehab al-Samarrai qualificou o ataque contra o mausoléu xiita de "terrorista".

Em Fallujah, o conselho local condenou os ataques contra os locais de culto, quaisquer que sejam. O xeque Hamid Jadduh, imã da mesquita al-Forkane, defendeu "a assinatura de um pacto de honra entre sunitas e xiitas para proteger os lugares santos muçulmanos".

Jaafari frisou em entrevista na televisão que a partir de agora as manifestações armadas estão proibidas, assim como o porte de armas sem autorização.

"Para proteger os cidadãos e seus bens, é agora proibido circular armado e levar armas fora das casas e das lojas sem autorização especial", declarou o chefe de governo.

Jaafari, que impôs um toque de recolher em Bagdá e em três províncias do centro do Iraque para a sexta-feira, informou que "o esquema de segurança será reforçado nos lugares perigosos" da capital e de outras cidades.

No entanto, um muezim xiita e um pregador sunita foram mortos ao norte e ao sul de Bagdá.

Os corpos de 13 pessoas com marcas de bala foram descobertos pela manhã em diversos bairros de Bagdá.

Dois policiais foram mortos e dois civis ficaram feridos na explosão de uma bomba no centro de Samarra.

Um oleoduto que liga a refinaria de Dura, em Bagdá, à de Baiji, ao norte, foi alvo de uma explosão por volta das 16H00 locais, informou a polícia.

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