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24/02/2006 - 14h43

Condoleezza Rice não convence países árabes a isolar o Hamas e o Irã

Por Silvia Lanteaume SHANNON, Irlanda, 24 fev (AFP) - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, concluiu nesta sexta-feira um giro de cinco dias pelo Oriente Médio, sem conseguir o apoio dos países árabes a sua política de isolamento do Hamas e do Irã.

Antes de voltar aos Estados Unidos, a chefe da diplomacia americana pediu aos países árabes que parassem de financiar a Autoridade Palestina se o Hamas formasse um governo. "Espero que todo Estado que planeje financiar um governo dirigido pelo Hamas reflita sobre as implicações que isso terá para o Oriente Médio e o processo de paz na região", disse a jornalistas árabes.

Condoleezza também lançou uma grande ofensiva diplomática contra o Irã, que classificou de "banco central do terrorismo" e ameaça para a região, por causa de seu programa nuclear. Mas suas reuniões não deram resultado nem no Egito, nem na Arábia Saudita nem nos Emirados Árabes Unidos.

No Cairo, o ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Abu Gheit, disse que é necessário "dar tempo" ao Hamas, e não quis condenar o Irã, durante uma entrevista coletiva com Condoleezza.

Em Riad, o chefe da diplomacia saudita, Saud al-Fayzal, disse que o governo continuará a ajudar financeiramente a Autoridade Palestina, mesmo com o Hamas no governo. "Não desejamos relacionar a ajuda internacional ao povo palestino a outras considerações que não sejam suas terríveis necessidades humanitárias", disse o príncipe à secretária de Estado.

O ministro saudita tampouco condenou claramente o programa nuclear do Irã, alegando que "não há provas de que os iranianos estejam tentando obter a arma nuclear".

Em Abu Dhabi, última etapa do giro de Condoleezza, as seis monarquias do Golfo citaram a "proliferação nuclear" no Oriente Médio, em um comunicado comum após o encontro da secretária de Estado com os colegas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), mas sem mencionar o Irã.

O texto "reafirma a necessidade de manter a região do Golfo livre de qualquer arma de destruição em massa", uma fórmula geralmente usada nos países árabes para se referir a Israel, que nunca admitiu ter a arma nuclear.

No avião que a levava de volta a Washington, antes da escala em Shannon, Irlanda, Condoleezza disse ter percebido um apoio "amplo e muito forte" dos países árabes ao consenso da comunidade internacional sobre o Irã.

No Golfo, "há uma grande preocupação em relação ao Irã e suas atividades nucleares", acrescentou a secretária, assinalando que o Egito "expressou claramente" que votaria a favor de enviar o expediente nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da ONU.

Outro tema decepcionante para Condoleezza foram seus chamados pelo desenvolvimento da democracia na região, o que considera um antídoto contra o terrorismo e que teve pouca repercussão no Egito, onde o opositor Ayman Nur foi novamente preso pouco depois de ela deixar o Cairo.

Foi no Líbano, durante uma visita de poucas horas, que Condoleezza ficou satisfeita, ao se reunir com os principais líderes do país, incluindo o chanceler Fawzi Salluj, nomeado pelo Hezbollah. Afirmando sempre não querer interferir nos assuntos internos do país, Condoleezza enviou uma mensagem clara aos libaneses, tomando o cuidado de não se encontrar com o presidente pró-sírio Emile Lahud, cuja saída do cargo é desejada pela maioria da população.

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