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28/02/2006 - 12h48

Brasil e França propõem ao mundo novas formas de luta contra a pobreza

Por Beatriz Lecumberri=(FOTOS)= PARIS, 28 fev (AFP) - Representantes de 95 países se reuniram nesta terça-feira em Paris, por iniciativa do Brasil e da França, para estudar formas inovadoras de financiar o desenvolvimento dos povos, lutar contra doenças como a Aids e a malária e promover a solidariedade entre Norte e Sul.

"Os que têm fome não podem esperar e precisam de iniciativas urgentes", frisou nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um texto lido pelo ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, na abertura do evento, que termina amanhã.

Além dos representantes de 95 países, 60 organizações não-governamentais e inúmeros dirigentes de empresas participam deste fórum, parte do programa de ação internacional contra a fome e a pobreza, iniciativa promovida pelo presidente brasileiro em 2002, ao qual se associaram de forma imediata países como a França ou o Chile.

Segundo Lula, a luta contra a pobreza em países em desenvolvimento passa pela batalha contra doenças como a Aids, a malária ou a tuberculose.

"No Brasil nos comprometemos a vencer uma longa herança de desigualdades e injustiças a fim de criar as condições para a inclusão social. Isso não é uma utopia. O êxito dos programas que colocamos em funcionamento nos faz crer que, no âmbito internacional, podemos conseguir progressos similares", ressaltou. A comunidade internacional deve abrir uma nova etapa e adotar "projetos concretos" para lutar contra as desigualdades para que o movimento de solidariedade seja "irreversível", defendeu Jacques Chirac.

"Está faltando uma nova visão de cooperação internacional, uma nova concepção das relações Norte-Sul", reconheceu o presidente francês.

Neste sentido, o Brasil e a França tentam convencer outros países a adotarem uma taxa solidária sobre as passagens de avião e, com este dinheiro, criar um fundo para a compra de medicamentos.

"Por outro lado, apoiamos com entusiasmo a criação de um mecanismo internacional para comprar medicamentos. É um projeto que constitui uma resposta concreta ao desafio da fome e da miséria", afirmou Lula, no documento enviado ao evento.

Na França, este mecanismo será aplicado a partir de julho e arrecadará cerca de 200 milhões de euro por ano.

"Brasil, França e outros países pretendem usar fundos inovadores para criar um mecanismo internacional de compra de medicamentos. Peço a outros países que se unam a este fundo, cujas modalidades deverão ser estabelecidas, se possível, até o final de maio", pediu o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na abertura desta reunião, explicando que nesta data a assembléia geral da ONU realizará um encontro sobre a Aids.

Annan lembrou que dos 6,5 milhões de pessoas portadoras do vírus da Aids, apenas um milhão têm acesso aos medicamentos dos quais precisam.

"Até agora, os debates sobre as formas inovadoras de financiar o desenvolvimento foram tentativas. Aqui em Paris, damos mais um passo: nos reunimos para colocar em prática propostas concretas", afirmou Annan.

O Brasil declarou-se disposto a receber uma próxima reunião como a que está sendo realizada em Paris para aprofundar mais os aspectos éticos das propostas e animar outros países a se unirem em torno da iniciativa.

Lula disse que a comunidade internacional está vencendo pouco a pouco a inércia e o ceticismo em sua luta contra a pobreza.

"Nossos esforços comuns podem nos levar mais além do que as boas palavras e intenções", destacou Lula.

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