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01/03/2006 - 13h59

"Sou o único responsável", admite Saddam Hussein ante o tribunal

BAGDÁ, 1 mar (AFP) - "Sou o único responsável", afirmou nesta quarta-feira o presidente deposto iraquiano Saddam Hussein, admitindo ter ordenado a destruição das hortas de Dujail, em represália ao atentado cometido contra o comboio em que ele viajava em 1982.

"Fui eu que ordenei a destruição das hortas. Por que acusam Taha Yassin Ramadan u Barzan al-Tikriti? Fui eu que dei a ordem", declarou antes da suspensão da décima-quarta audiência do julgamento, adiado para o dia 12 de março.

"Obviamente, não fui eu que subi nos buldôzers para destruir as hortaliças de todas as pessoas envolvidas no atentado contra mim, mas fui eu que assinei a ordem do Conselho do Comando da Revolução (a mais alta instância do país)", Estas palavras foram ditas por Saddam Hussein com uma voz tranqüila diante do tribunal que o julga em Bagdá junto com sete de seus colaboradores pela execução de 148 moradores de Dujail, ao norte de Bagdá, após uma tentativa de atentado.

O ex-ditador também ressaltou que foi ele que ordenou o julgamento dos suspeitos da tentativa de atentado pelo tribunal da revolução.

"Indiciaram Awad Bandar, o presidente do tribunal, porque ele pronunciou o veredicto. Mas fui eu que os enviei ao tribunal para que fossem julgados segundo a lei, como vocês fazem hoje", acrescentou.

O presidente deposto também justificou as condenações à morte, uma vez que se tratava de um atentado contra um chefe de Estado.

"Vi passar as balas diante dos meus olhos. Estava no carro, atrás do motorista. Havia um amigo ao meu lado e um guarda-costas estava ao lado do motorista. Houve tiros, mas Deus quis salvar o veículo. As balas da 'duchka' (metralhadora de fabricação russa) atingiram o carro, mas não o atravessaram", recordou Saddam Hussein.

"Essas pessoas cometeram um crime contra um chefe de Estado, seja qual for o nome dele. Então, julguem o presidente do país mas deixem os outros tranqüilos", pediu.

"Saddam Hussein não tem medo de ninguém, somente de Deus. E isso não é de agora mas de quando eu era menino e já não tinha medo de nada. Dedicamos nossa vida a Deus e ele quis que permanecêssemos vivos. Não tenho medo de niguém mas me preocupo com a reputação do Iraque", finalizou o ex-ditador.

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