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02/03/2006 - 11h59

Teerã faz acusações contra Washington e volta a se reunir com europeus

Por Olga Nedbaeva=(FOTO + INFOGRAFIA)=MOSCOU, 2 Mar (AFP) - O Irã acusou os Estados Unidos nesta quinta-feira de sabotar a proposta russa para o programa nuclear iraniano e anunciou uma nova reunião "de última instância" para esta sexta-feira, em Viena, entre os negociadores iranianos e a "tróica" européia.

Nesta quinta-feira, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, advertiu na Malásia, onde realiza uma visita oficial, que o Irã será contra "qualquer exigência excessiva" dos "países poderosos".

"Vamos nos opor a toda exigência excessiva que sejam impostas por essas potências", afirmou o chefe de Estado, referindo-se aos "países poderosos".

Já o negociador iraniano do tema nuclear, Ali Larijani, responsabilizou os Estados Unidos pelo fracasso da reunião entre russos e iranianos, realizada na véspera em Moscou.

Washington suspeita que o Irã quer desenvolver a arma atômica sob o pretexto do programa civil e pressiona para que a comunidade internacional adote medidas para impedir a República Islâmica.

Na próxima segunda-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pode decidir o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que é cada vez mais provável depois do fracasso das negociações com Moscou.

Nesta sexta-feira, o Irã se reunirá com a tróica européia (Alemanha, França, Grã-Bretanha), provavelmente em Viena, segundo fontes diplomáticas.

"Os americanos colocam obstáculos à proposta russa. A insistência americana para o envio do expediente nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da ONU significa a destruição da proposta russa", disse Larijani à imprensa.

A proposta russa consiste em enriquecer em território russo o urânio para as centrais nucleares iranianas, numa forma de dissipar o temor de que o Irã utilize a tecnologia nuclear de enriquecimento para fabricar a bomba atômica.

O principal ponto de divergência com a Rússia diz respeito à exigência de que Teerã uma moratória sobre o enriquecimento de urânio em território iraniano. Neste sentido, Moscou tem a mesma posição que os ocidentais.

Além disso, a Rússia também vem negociando com Teerã a venda de mísseis terra-ar S-300, que poderiam servir para proteger as instalações nucleares iranianas. Segundo um especialista de não-proliferação do Centro Carnegie de Moscou, Vladimir Evseev, a questão dos mísseis é provavelmente mais importante que a do enriquecimento de urânio.

Os Estados Unidos, que criticam fortemente a intransigência de Teerã sobre a moratória nuclear, parecem não esperar qualquer avanço nas negociações, tanto com os russos quanto com os Europeus.

"Depois da tentativa de resolver o problema através da negociação e de uma boa e razoável oferta da Rússia, temos que ir ao Conselho de Segurança da ONU", disse na quarta-feira um porta-voz do Departamento de Estado americano, Adam Ereli.

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