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03/03/2006 - 18h13

Ocidente pressiona Irã para impedir "estompim" nuclear no Oriente Médio

PARIS, 3 mar (AFP) - O Ocidente intensificou nesta semana a pressão sobre o Irã para evitar que o regime islamita de Teerã dê continuidade a seu plano de enriquecimento de urânio para fabricar bombas atômicas, convertendo dessa forma o Oriente Médio num "estompim" nuclear de conseqüências imprevisíveis. Estados Unidos e União Européia (UE) tentaram, com a ajuda transversal da Rússia, forçar a República Islâmica a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio que, segundo Teerã, tem fins exclusivamente civis. O temor ocidental é de que Irã fique tecnologicamente em condições de produzir bombas atômicas que complicariam, ainda mais, a situação no Oriente Médio. Israel, que conta com armas nucleares, deixou claro a meados de janeiro que não tolerará que o Irã "se dote da opção nuclear" e destacou seu dever de "desenvolver uma estratégia de defesa com tudo o que isso implica", segundo o ministro da Defesa, Shaul Mofaz. Além de exacerbar a tensão no Oriente Médio, uma eventual bomba iraniana agravaria também as tensões com seus vizinhos Índia e Paquistão, duas potências nucleares, e converteria a Ásia menor na região literalmente mais explosiva do planeta. Os ocidentais depositaram suas esperanças na proposta de Moscou para enriquecer urânio em solo russo para alimentar as centrais iranianas. A Rússia deseja evitar sanções internacionais a seus amigos iranianos, com os quais está construindo sua primeira central nuclear e a ponto de vender mísseis terra-ar S-300. O Kremlin está disposto a cooperar com o Irã, se o regime dos aiatolás se comprometer a não fomentar os movimentos de radicalismo islâmico nas repúblicas russas com forte presença muçulmana. Na capital russa, Teerã manteve a negativa absoluta a aceitar uma moratória sobre o enriquecimento de urânio em seu próprio território, como implica a proposta russa e exigem europeus e americanos. Nesta sexta-feira foram frustradas as esperanças de que Teerã flexibilizassesua posição durante uma reunião em Viena entre o negociador iraniano Ali Larijani com os ministros das Relações Exteriores da UE-3 (Alemanha, França e Grã-Bretanha). Mas o encontro terminou em fracasso. "As conversas foram construtivas mas não permitiram chegar a um acordo", declarou o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier. O encontro de Viena era uma última 'ponte' antes da reunião que, a partir deste 6 de março, manterão os 35 membros do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para examinar o caso iraniano. Segundo os analistas, este encontro tem todas as probabilidades de vir a ser concluído com uma recomendação à ONU para que tome medidas ou sanções contra o Irã. No dia 4 de fevereiro, o Conselho de Governadores da AIEA decidiu informar sobre o caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU, embora tenha pedido para que não fossem adotadas sanções até a reunião desta segunda-feira. A ONU poderia tecnicamente 'interessar-se' pelo caso iraniano sem que isso implicasse sanções contra Teerã, pois uma medida dessa índole acarretaria dois riscos: não teria demasiado alcance prático e poderia precipitar uma reação em cadeia dos países produtores de petróleo. A reunião da AIEA precederá uma conferência ministerial da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo), que começa no dia 8 de março, também em Viena. Como parte disso, a perspectiva de uma sanção da ONU, poderia induzir o Irã, quarto produtor mundial, a reduzir suas exportações do cru (que, em 2005, ascenderam a 2,7 milhões de barris diários) em represália. Essa perspectiva inquieta um Ocidente premido por grandes necessidades energéticas e um elevado preço do cru. bur-cll/sd

AFP 031812 MAR 06

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