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03/03/2006 - 17h39

Três mortos em protestos enquanto Bush elogia nova associação com a Índia

Por P. Parameswaran=(FOTOS)= NOVA DÉLHI, 3 mar (AFP) - O presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta sexta-feira que a nova associação estratégica entre Estados Unidos e Índia, que inclui um acordo nuclear, poderia transformar o mundo, mas os protestos em seu último dia de visita à Índia deixaram três mortos e dezenas de feridos.

Os dois países, explicou Bush num discurso transmitido pela TV, a partir de uma fortaleza do século XVI na capital indiana, devem apoiar-se mutuamente em seus esforços globais em favor da democracia, da luta contra o terrorismo e da eliminação de barreiras comerciais.

Um dia depois de assinar um histórico acordo nuclear com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, Bush elogiou a Índia, dizendo que está "encantando com esta vibrante e emocionante terra".

"Estados Unidos e Índia, separados pela metade do planeta, estão mais próximos do que nunca e a associação entre nossas duas nações livres tem capacidade para transformar o mundo", indicou.

Bush e Singh concordaram na quinta-feira que Nova Délhi permitiria inspeções internacionais de seus reatores nucleares civis em troca do acesso à tecnologia nuclear.

Nas últimas três décadas, a Índia esteve proibida de transferir material ou tecnologia nuclear por conta de seus primeiros ensaios de armas nucleares em 1974.

Referindo-se à Guerra Fria, Bush afirmou que durante muitos anos os Estados Unidos e a Índia se mantiveram distantes um do outro por conta das rivalidades que dividiam o mundo.

"Isso mudou. Nossas duas grandes democracias estão agora unidas pelas oportunidades que podem melhorar a vida das pessoas e pelas ameaças que podem acabar com todo nosso progresso".

Horas antes de Bush começar seu pronunciamento, três pessoas morreram no norte da Índia em confrontos entre muçulmanos e hindus durante uma manifestação contra sua visita, em Lucknow, a capital do estado de Uttar Pradesh, norte do país. "Dois dos mortos são hindus e um é muçulmano", afirmou Ghulam Abbas, porta-voz do governo regional de Uttar Pradesh.

Abbas acrescentou que 17 pessoas foram hospitalizadas também com ferimentos causados por armas de fogo.

Os confrontos começaram após a oração desta sexta-feira, quando muçulmanos que se opunham à visita de Bush à Índia quiseram forçar os comerciantes a fecharem suas lojas, e o os hindus não aceitaram, explicou momentos antes o chefe da Polícia em Lucknow, Ashutoch Pandey.

Os protestos dos muçulmanos também se tornaram violentos em Hydebarad, no sul do país, durante a visita de Bush ao centro tecnológico da cidade. Cinco pessoas ficaram feridas em confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Em Srinagar, a capital da Cachemira indiana, cerca de 35 pessoas ficaram feridas nos choques entre a polícia e os manifestantes muçulmanos, que também protestavam contra a publicação das caricaturas de Maomé na Dinamarca.

Bush não mencionou a violência em seu discurso, no qual estimulou a Índia a liderar a expansão da liberdade e da democracia, assim como a abrir sua economia ao mundo para um maior florescimento do comércio.

"A Índia precisa continuar suprimindo as travas ao investimento exterior, tornando suas normas e regulações mais transparentes e baixando suas tarifas", afirmou.

Ambos os países pretendem duplicar o comércio bilateral até alcançar os 40 bilhões de dólares (33,3 bilhões de euros) nos próximos dois ou três anos.

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