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04/03/2006 - 16h11

China aumenta orçamento militar e reitera advertências a Taiwan

Por Verna Yu PEQUIM, 4 Mar (AFP) - A China anunciou neste sábado que aumentará seu orçamento militar em 14,7% em 2006, na véspera da abertura da sessão anual da Assembléia Nacional Popular (ANP, Parlamento) e tendo como pano de fundo as tensões com a ilha rebelde de Taiwan, novamente repreendida por seus objetivos separatistas.

"Segundo o projeto de orçamento apresentado este ano à Assembléia, a parte dedicada à defesa nacional em 2006 chega a 283,8 bilhões de iuanes (35 bilhões de dólares), 14,7% a mais que no ano passado", declarou o porta-voz da ANP, Jiang Enzhu, durante entrevista coletiva.

"Quero insistir no fato de que a China é uma nação comprometida com a paz (...). A China não tem a intenção, nem a capacidade de acrescentar consideravelmente seu armamento militar", acrescentou.

Segundo Jiang, estes gastos representam 7,4% do orçamento fiscal nacional e se situam mais ou menos ao nível dos do ano passado. O orçamento é "relativamente débil" se comparado com o dos Estados Unidos, que gastaram 401,7 bilhões de dólares em 2005, declarou.

O orçamento deve ser aprovado durante a sessão plenária anual da ANP, órgão legislativo supremo chinês, que é aberto no domingo no Grande Palácio do Povo de Pequim, na presença de cerca de três mil delegados, sob um grande sistema de segurança.

O exército chinês é o maior do mundo com quase 2,3 milhões de soldados e um orçamento que cresceu 10% anual nos últimos 15 anos, embora em 2005 a alta tenha sido de 12,6% (29,90 bilhões de dólares).

Estes números, que os Estados Unidos consideram subestimadas, causam temor nos países vizinhos e em Washington pela rápida corrida armamentista da China, que ameaça o domínio americano em vários âmbitos, da conquista espacial às vias marítimas da Ásia. Em 28 de fevereiro a Índia anunciou que vai aumentar seus gastos militares em 7,2% até 19,8 bilhões de dólares no ano fiscal 2006/2007, com a finalidade de financiar a modernização de suas forças armadas.

Por outro lado, Jiang reiterou a advertência lançada por Pequim no início da semana contra as "forças" e as "atividades separatistas" que agem pela independência de Taiwan, ilha que a China considera território próprio.

"Estamos firmemente decididos a nos opor à independência de Taiwan, às forças e atividades secessionistas, a manter a paz no estreito de Taiwan e garantir a soberania da China, assim como sua integridade territorial", declarou o porta-voz.

Apesar das advertências de Pequim, o presidente taiwanês Chen Shui-bian, decidiu nesta segunda-feira suprimir o Conselho para a Unificação Nacional (NUC), um órgão consultivo mas simbólico, já que preconizava a reunificação a longo prazo da ilha separatista com o restante da China.

Pequim acusou imediatamente o presidente taiwanês de colocar a paz "seriamente em risco" e de conduzir a ilha à "catástrofe".

O presidente chinês, Hu Jintao, qualificou nesta terça-feira a decisão de "passo perigoso rumo à independência". "É uma provocação seria contra o princípio de uma única China, sobre o que insiste a comunidade internacional e contra a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan", acrescentou.

Pequim destacou em várias ocasiões que lutaria, se necessário à força, contra qualquer declaração formal de independência de Taiwan, ilha separada de fato da China comunista desde 1949 e para a qual estão apontados 700 mísseis chineses.

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