UOL Notícias Notícias
 

06/03/2006 - 19h16

Michelle Bachelet abre caminho para as mulheres no Chile

Por Paulina Abramovich(=INFOGRAFIA=)SANTIAGO, 6 mar (AFP) - As chilenas vão celebrar nesta quarta-feira o Dia Internacional da Mulher com a satisfação de saber que, três dias depois, uma delas ocupará pela primeira vez a Presidência do país: a socialista Michelle Bachelet, cujo governo promete a igualdade entre o sexos em um país onde a participação feminina é mínima.

Michelle, de 54 anos, assumirá o cargo no próximo sábado, após ter vencido as eleições com 53% dos votos. "Quem imaginaria isso há 20, 10 ou cinco anos? Quem pensaria que o Chile elegeria pela primeira vez uma presidente?", disse ela em seu primeiro discurso após a vitória.

Sexta mulher a se tornar presidente na América Latina, a vitória de Michelle abre um novo caminho para as chilenas nas comemorações do próximo dia 8 de março. Mais de 150 organizações sociais e não-governamentais, bem como agências de desenvolvimento, partidos políticos e sindicatos se reunirão em um grande ato político e cultural no centro de Santiago, que terá Michelle como principal oradora.

"A chegada de Michelle Bachelet ao poder é um grande motivo de comemoração. É um símbolo da história social das mulheres, e de como abriram caminho em uma cultura patriarcal e adversa", disse Perla Wilson, líder da Corporação La Morada, dedicada a promover os direitos da mulher.

Historicamente, as mulheres chilenas tiveram uma participação fraca na política, com uma representação parlamentar que, nos últimos anos, não chegou a um quinto dos cargos. Nas últimas eleições parlamentares, que aconteceram paralelamente às presidenciais, apenas 18 mulheres foram eleitas deputadas, o equivalente a 15% do total, e duas senadoras, que representam 9,5%.

Uma situação semelhante acontece no âmbito privado, onde 6% das mulheres ocupavam há dois anos cargos de direção de organizações empresariais, segundo o Serviço Nacional da Mulher (Sernam). A escassa participação feminina também se reflete no mercado de trabalho, onde em 2004 as mulheres representavam apenas 38% da força de trabalho, a menor porcentagem da América Latina, de acordo com o Sernam.

Os primeiros sinais de mudança surgiram com o compromisso de Michelle de criar um governo formado pelo mesmo número de homens e mulheres, o que colocou em prática em janeiro, quando anunciou uma equipe ministerial com 10 homens e 10 mulheres.

A formação do novo governo gerou expectativa entre as organizações de defesa dos direitos das mulheres, as quais acreditam que a forte presença feminina terá um efeito dominó em outros processos que favoreçam a igualdade entre os sexos. "O governo paritário provocará uma mudança cultural que significará a derrubada de mitos como o de que as mulheres não gostam de política e preferem atividades menos relevantes", disse Perla Wilson.

Espera-se que uma das primeiras medidas de Michelle Bachelet como presidente seja enviar ao Congresso uma "lei de cotas" que garanta a inclusão das mulheres em todas as atividades, não apenas no governo.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host