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07/03/2006 - 10h14

AIEA discute crise iraniana

=(FOTOS + INFOGRAFIA)= VIENA, 7 mar (AFP) - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) examina nesta terça-feira em Viena o programa nuclear do Irã, ao mesmo tempo que os Estados Unidos continuam contrários ao enriquecimento de urânio e a Rússia tenta evitar sanções do Conselho de Segurança contra o país persa.

As discussões estão centradas em questões técnicas e o caso iraniano será discutido nesta terça-feira à tarde ou na quarta-feira pela manhã, ressaltaram diplomatas.

Os 35 membros da junta de governadores devem examinar o relatório do diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, e decidir se o dossiê iraniano deve ser enviado ou não ao Conselho de Segurança da ONU.

O Irã não aceitará interromper suas atividades de pesquisa nuclear, mas está disposto a suspender por um prazo máximo de dois anos o enriquecimento industrial de urânio, afirmou à AFP um diplomata ligado às negociações na AIEA.

"Qualquer moratória de mais de dois anos das atividades de enriquecimento industrial e qualquer pedido de suspensão das pesquisas tornará difícil a realização de um acordo", declarou o diplomata em Viena, antes de destacar que um plano de compromisso russo, atualmente em negociação, deve incluir estes dois elementos.

Enquanto isso, continuam as discussões nos bastidores a respeito do principal ponto em litígio: se o Irã manterá ou não as suas atividades de pesquisas relacionadas ao enriquecimento de urânio.

Os Estados Unidos se opõem energicamente a qualquer operação de enriquecimento de urânio iraniano, mesmo que seja em pequena escala, mas a Rússia aprova.

"Não se pode permitir que o regime (iraniano) continue o enriquecimento de urânio em nenhuma escala, porque enriquecer em qualquer escala o permitiria dominar a tecnologia, terminar o ciclo de enriquecimento, e esta tecnologia logo poderia ser aplicada facilmente a um programa clandestino de fabricação de armas nucleares", declarou um porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, apresentará um plano destinado a solucionar esta crise nesta terça-feira ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e à secretária de Estado, Condoleezza Rice.

O plano russo aceita a criação de "uma pequena unidade de enriquecimento de urânio para a pesquisa" no Irã depois de uma pausa, segundo diplomatas que participam das negociações.

Também prevê a suspensão de todas as atividades ligadas ao enriquecimento de urânio pelo Irã durante um breve período de tempo, incluindo a pesquisa.

De acordo com este plano, o Irã aceitaria em troca transferir para a Rússia suas atividades de enriquecimento industrial e ratificar o protocolo adicional que autoriza um controle severo de seu programa nuclear.

O Irã rejeita qualquer suspensão de suas atividades de pesquisa, retomadas no dia 10 de janeiro apesar das exigências da AIEA.

"No que diz respeito as suas atividades de pesquisa, o Irã está (somente) disposto a aceitar uma vigilância mais completa e mais precisa da AIEA", ressaltou nesta terça-feira em Viena um diplomata que participa das negociações.

Na segunda-feira, primeiro dia de reuniões, Mohamed ElBaradei declarou que espera um acordo sobre o programa nuclear iraniano e em particular a respeito do único ponto em debate: a questão das centrífugas para a pesquisa e desenvolvimento.

A junta de governadores da AIEA enviou no dia 4 de fevereiro o caso iraniano ao Conselho de Segurança, dando ao Irã um mês para suspender todas as atividades ligadas ao enriquecimento de urânio.

Se um acordo for alcançado, o Conselho de Segurança da ONU poderá pedir ao Irã uma "declaração" formal de que se submete às exigências da AIEA. Caso o Irã rejeite, o Conselho de Segurança poderá adotar medidas mais severas. No entanto, Rice afirmou que no momento não serão adotadas sanções.

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