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07/03/2006 - 17h40

Novas tecnologias e idéias financeiras podem reduzir o aquecimento global

Por Jean-Louis Doublet WASHINGTON, 7 Mar (AFP) - As novas tecnologias industriais e idéias do mundo financeiro podem contribuir para combater o aquecimento global, reduzindo os gases causadores de efeito estufa, segundo cientistas e climatologistas reunidos nesta semana, em Washington, pelo Banco Mundial.

No encontro foram bem recebidas a técnica de captura do dióxido de carbono e o intercâmbio de "direitos de contaminar" nos mercados bursáteis.

Alguns cientistas propuseram, ainda, um novo enfoque conceitual que consiste em reunir os vários métodos destinados a reduzir as emissões de gases de efeito estufa para que, afinal, os progressos substanciais em cada setor se traduzam em uma estabilização em escala mundial.

"Devemos esperar pelo aparecimento de novas tecnologias ou já temos as tecnologias (necessárias) para enfrentar as mudanças climáticas?", perguntou na segunda-feira Robert Watson, chefe do departamento científico do Banco Mundial ao inaugurar uma conferência sobre energia, patrocinada por esta instituição multilateral.

A iniciativa do presidente George W. Bush, os Estados Unidos, que se negaram a assinar o Protocolo de Kyoto contra o aquecimento do planeta, dá muita ênfase à utilização de novas tecnologias para reduzir as emissões de poluentes.

Mas esta atitude desperta um forte ceticismo nos partidários do Protocolo de Kyoto, que compromete seus signatários a limitar as emissões de gases de efeito estufa até 2012 e a reduzi-las em 5% com relação a seus níveis de 1990. "Os países que decidiram seguir pelo caminho das tecnologias têm a responsabilidade de dizer ao resto do mundo se isto funciona ou não", reclamou, durante a reunião, a ministra holandesa para a Cooperação e o Desenvolvimento, Agnes Van Ardenne.

Robert Socolow, especialista em energia da Universidade de Princeton, apresentou a técnica de captura do dióxido de carbono como algo promissor.

Segundo informou, já há resultados positivos em testes feitos na Noruega e na Argélia e a petroleira British Petroleum acaba de anunciar um projeto de envergadura na Califórnia.

A técnica consiste em capturar as emissões de gás carbônico das centrais geradoras de energia e rejeitá-las em camadas geológicas sob os oceanos, onde ficarão 'presas' durante milhares de anos.

Esta técnica faz parte da teoria da "estabilização das cunhas" (wedges) de Socolow, que torna o nome deste metal de forma triangular. Esta teoria define os setores que devem ser atendidos para obter os resultados na luta contra o aquecimento global.

Publicada em agosto de 2004 na revista Science, a teoria de busca "solucionar os problemas climáticos nos próximos 50 anos, usando as tecnologias atuais". As "cunhas" são o desenvolvimento das energias renováveis em 15 setores, entre os quais estão os novos métodos de propulsão para veículos, a captura de gás carbônico e a biomassa.

Segundo Socolow, se forem feitos progressos substanciais em sete destes 15 setores, em 2005 será possível manter o mesmo nível de dióxido de carbono que em 2005.

O mundo financeiro também pode fazer sua parte, com o desenvolvimento de bolsas para troca de "direitos de contaminar".

Instaladas hoje em Chicago (Illinois, norte), em Londres e em seguida no Canadá, estas bolsas permitem que empresas e investidores troquem direitos a contaminar emitidos na forma de papéis, tal como ocorre no mercado de valores.

Atualmente, a tonelada de carbono "vale" cerca de 100 dólares e os governos europeus, signatários do Protocolo de Kyoto, se mostram muito mais ativos nestes mercados que os Estados Unidos.

Mas empresas americanas como Ford, International Paper, IBM, American Electric Power, cidades e também estados como o Novo México (sudoeste) também começaram a operar nestes novos mercados.

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