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08/03/2006 - 16h03

Denúncias contra violência e discriminação no Dia Internacional da Mulher

=(FOTOS)= HONG KONG, 8 mar (AFP) - O combate à violência e à discriminação no mundo dominou nesta quarta-feira as primeiras manifestações do Dia Internacional da Mulher no mundo.

No Paquistão, uma manifestação foi convocada na cidade conservadora de Multan (centro). "Este dia será crucial, pois reunirá pela primeira vez homens e mulheres em um lugar conhecido por sua discriminação e pela crueldade para com as mulheres", disse Mujtar Mai, a porta-voz internacional da causa das mulheres no Paquistão, vítima de um estupro coletivo em 2002.

Mujtar Mai, de 33 anos, foi estuprada por ordem de um conselho tribal em uma aldeia de Pendjab como castigo por uma suposta relação amorosa de seu jovem irmão com uma mulher de um poderoso clã local.

O silêncio continua regendo a vida de centenas de mulheres no sul do continente asiático, vítimas de estupros, violência e inclusive assassinatos praticados por seus parentes ou vizinhos que as acusam de terem desonrado suas famílias.

No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai ordenou nesta ocasião a libertação de 25% das 110 prisioneiras detidas num país onde as mulheres correm o risco de serem condenadas à prisão em caso de adultério ou por tentarem escapar de um casamento forçado. Apesar da queda do regime talibã no final de 2001, no Afeganistão as mulheres continuam sendo vítimas de abusos dos mais variados, estupros ou assassinatos, assim como de casamentos forçados, segundo a comissão independente afegã de direitos humanos (AIHRC).

Na Índia, os movimentos de defesa dos direitos da mulher consideram que milhares de casos de abuso sexual não são denunciados por medo de uma eventual discriminação social. Segundo dados oficiais, em 2002 houve mais de 16.000 estupros.

Na Indonésia, o Dia Internacional da Mulher coincidiu com a publicação de um relatório que destaca que em 2005 aumentou em 45% o número de casos de violência praticada contra as mulheres, informou o jornal Jacarta Post.

O regime comunista norte-coreano aproveitou a data para exortar as mulheres a apoiarem o "querido líder" Kim Jong-il e a terem mais filhos.

"As mulheres devem dar à luz diversos filhos e criá-los para que se tornem homens e mulheres responsáveis, capazes de apoiar a nação", afirma o Rodong Sinmun, jornal do governo.

Na Austrália e Nova Zelândia, onde as mulheres têm uma ampla representação na vida política, não estão previstas manifestações especiais.

Na Nova Zelândia, uma mulher exerce a chefia do governo, outra é ministra da Justiça e uma terceira dirige a maior empresa do país. As mulheres ocupam 32,2% dos 121 assentos do Parlamento.

Também não foram registradas manifestações no Japão, onde mais de 10.000 pessoas protestaram na terça-feira em Tóquio contra o projeto de reforma imperial, que inclui a possibilidade de uma mulher chegar ao trono de Crisântemo.

Na China, as mulheres tiveram meio dia de feriado, como é de costume desde que os comunistas chegaram ao poder, em 1949.

Apesar das regras e das cotas destinadas a promover a igualdade na vida política chinesa, a grande maioria das mulheres continua distante dos postos de poder.

Na Europa, a chanceler alemã, Angela Merkel, instou as mulheres a não deixar que "decaiam os esforços na luta contra as discriminações sofridas em algumas regiões do mundo".

No poder desde novembro passado, Merkel afirma que o fato de ser uma mulher no comando de um governo só lhe trouxe vantagens até o momento.

Na Espanha, no entanto, 85% da população estimam que as mulheres sejam vítimas de discriminações no trabalho, segundo uma pesquisa.

Na França, a dirigente socialista Ségolène Royale considerou "possível" a eleição pela primeira vez de uma mulher para a presidência da República no ano que vem.

Para Royale, que goza de grande popularidade segundo as pesquisas para as presidenciais francesas de 2007, "a opinião pública está mais avançada do que vários responsáveis" políticos.

O premier francês, Dominique de Villepin, almoçou com integrantes de uma associação de mulheres vítimas da violência em um centro de acolhida perto de Paris.

Por sua vez, o presidente da República, Jacques Chirac, recebeu como convidada de honra a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf. Trata-se da primeira mulher à frente de um país africano desde sua eleição, no ano passado.

Na Argélia, o presidente Abdelaziz Buteflika indultou 152 mulheres detidas para que se reintegrem à sociedade.

Na Jordânia a agência de notícias Petra e dois jornais nomearam mulheres para a chefia de redação, ainda que apenas por um dia.

Em Israel, a atriz americana Sharon Stone participou de vários atos como convidada do Centro Simon Peres pela Paz.

Na América Latina, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado com manifestações e protestos. Em Cuba, as mulheres foram saudadas com flores e parabéns, o que não suavizou o protesto das revolucionárias contra a política de Washington e das opositoras pela liberdade de presos políticos.

Esta noite, na Tribuna Imperialista, 138 bandeiras negras com estrelas brancas que tremulam em frente à Seção de Interesses americanos em Havana, servirá de cenário esta noite para o ato do Dia Internacional da Mulher, no qual deverá estar presente o presidente Fidel Castro.

Em Caracas, capital da Venezuela, duas mil mulheres simpatizantes do presidente, Hugo Chávez, iniciaram nesta quarta-feira uma marcha de protesto contra a invasão do Iraque, que terminará na embaixada americana, situada no sudeste da cidade.

Em Montevidéu, sindicalistas e membros de organizações sociais pediram a descriminalização do aborto, em frente à residência do presidente, Tabaré Vázquez.

Já em Santiago do Chile, a presidente eleita Michelle Bachelet (socialista), foi o centro das comemorações e de ovações multitudinárias. Às vésperas da cerimônia de posse deste sábado, quando ela se tornará a primeira mulher chilena da História a ocupar a Presidência, Bachelet foi a personagem central de um ato solene no palácio de La Moneda.

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