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08/03/2006 - 19h03

Diferença entre o homem e o macaco pode ser uma questão de expressão

PARIS, 8 mar (AFP) - Por que humanos e macacos são tão diferentes se seus genomas são tão similares? Menos de quatro por cento do código genético do chimpanzé diferem do nosso, uma margem tão pequena que alguns especulam que a diferença entre os primatas pode estar em apenas alguns poucos genes chave, talvez em apenas 50 dos cerca de 20 mil do genoma humano.

Um estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature sugere que a verdade se esconde em outro lugar.

A grosso modo, os cientistas afirmam que não é o número de genes que conta, mas a forma como eles operam. Segundo eles, a descoberta do fogo pode ter desempenhado um papel essencial no início da pressão evolutiva responsável por esta mudança vital.

Os genes são os códigos para a produção de proteínas, as moléculas que formam as células e direcionam suas operações.

O balé molecular de proteínas é extraordinariamente complexo e até mesmo pequenas mudanças na regulação genética podem ter enormes repercussões na anatomia e no comportamento.

Os cientistas, chefiados por Yoav Gilad, professor assistente de genética da Universidade de Chicago, analisaram a expressão de 1.056 genes em amostras de fígado retiradas de quatro primatas (homem, orangotango, chimpanzé e o macaco rhesus), representando cerca de 70 milhões de anos de evolução.

Sessenta e seis por cento destes genes - envolvidos principalmente em processos celulares básicos - são quase que inalterados em seus padrões de expressão.

A grande diferença esteve no grupo de genes para fatores de transcrição: genes importantes que controlam a expressão de outros genes.

Os hominídeos se separaram dos chimpanzés, a última ruptura na linhagem comum dos primatas, cerca de cinco milhões de anos atrás.

Desde então, os genes de fatores de transcrição nos humanos são quatro vezes mais suscetíveis de apresentar padrões de expressão modificados que os genes que regulam, descobriram os cientistas.

Mas esta mudança não foi observada nos outros primatas.

"A grande questão é por que os humanos são tão diferentes?", perguntou Gilad.

"Que tipo de mudanças ambientais ou de estilo de vida teria provocado esta mudança rápida na expressão dos genes - neste caso os do fígado - em humanos e nenhum outro primata?", acrescentou.

Gilad especula que a resposta poderia residir no domínio do fogo, uma das diferenças fundamentais entre os humanos e os animais.

"Nenhum outro animal usa alimentos cozidos", disse Gilad. "Talvez algo no processo de cozimento tenha alterado os requisitos bioquímicos para o acesso máximo a nutrientes assim como à necessidade de processar as toxinas naturais encontradas em alimentos animais e vegetais".

A idéia de que a expressão genética, e não o número de genes, pudesse explicar as diferenças entre os primatas foi levantada pela primeira vez em 1975, mas até agora não existia uma tecnologia capaz de fazer com que esta teoria fosse levada adiante.

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