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09/03/2006 - 14h00

Diplomatas falam em escalada do caso nuclear iraniano

VIENA, 9 mar (AFP) - Uma escalada na crise nuclear iraniana parece agora muito provável, com a intervenção do Conselho de Segurança da ONU em meio às pressões americanas e às ameaças do Irã.

"É a escalada da crise. Por que outro motivo iríamos ao Conselho de Segurança?", declarou nesta quinta-feira à AFP um diplomata europeu, que não quis ser identificado.

"Os Estados Unidos fizeram de tudo para enviar o caso iraniano ao Conselho de Segurança, mas eles não têm uma estratégia para o período que se abre agora", lembrou.

"A comunidade internacional foi incapaz de resolver a crise dentro da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA)", comentou para a AFP o embaixador americano na agência, Gregory Schulte.

Repetindo as declarações de Mohammed ElBaradei, diretor da AIEA, Schulte considera, no entanto, que a transmissão do caso nuclear iraniano ao Conselho "não representa o fim da diplomacia". "Entretanto, o Conselho poderá colocar seu peso na balança para apoiar os esforços da AIEA", frisou.

Na noite de quarta-feira, ElBaradei havia pedido às diversas partes para "baixar o tom", para dar uma chance à diplomacia.

A AIEA transmitiu na quarta-feira o relatório de ElBaradei ao Conselho de Segurança, abrindo o caminho a uma ação desta instituição contra o Irã. Os ocidentais suspeitam que Teerã queira desenvolver a arma atômica por trás de um programa nuclear civil.

Outro diplomata disse temer uma evolução semelhante ao caso da Coréia do Norte, que decidiu limitar sua cooperação com a AIEA e se retirar do Tratado de Não Proliferação (TNP) no fim de 2002.

"Se o Irã não reagir às palavras, pensamos que a comunidade mundial terá de estudar a possibilidade de sanções", declarou o número três da diplomacia americana, Nicholas Burns, na Câmara dos Representantes. "O Conselho de Segurança vai iniciar segunda ou terça-feira que vem um debate muito movimentado sobre as ambições nucleares de Teerã", acredita Burns.

"Todas as sanções eventuais teriam como alvo específico o regime iraniano, os programas nucleares e os mísseis iranianos", afirmou.

O chefe da delegação iraniana em Viena, Javad Vaidi, respondeu duramente ameaçando diretamente os americanos.

"Os Estados Unidos podem fazer muito mal e causar muito sofrimento ao Irã, mas eles também são suscetíveis de sentir a dor e o mal. Se eles quiserem ir por esse caminho, vamos lá!", esbravejou Vaidi na quarta-feira em declarações à AFP. Javad Vaidi é o número dois do Conselho Supremo da Segurança Nacional iraniano.

"O Irã resistirá a todas as pressões e conspirações, e seguirá adiante no caminho das tecnologias avançadas, inclusive as nucleares", declarou o Guia Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

"O Irã deverá lidar com um isolamento crescente", avisou Mark Fitzpatrick, analista no Instituto Internacional de Estudos Estratégios (IISS) de Londres, em declarações à AFP.

"Mesmo se o Conselho de Segurança não impuser sanções econômicas por enquanto, os investidores e os bancos, talvez, não estarão propensos a investir no Irã", acrescentou Fitzpatrick.

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