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09/03/2006 - 15h51

Irã não renunciará a atividades nucleares mesmo em caso de sanções da ONU

Por Farhad PouladiTEERÃ, 9 mar (AFP) - Os dirigentes ultraconservadores do Irã não voltarão atrás em seu programa nuclear mesmo em caso de sanções do Conselho de Segurança da ONU ou ataques dos Estados Unidos, consideraram analistas iranianos.

Contando com o apoio popular, estimulado pelos preços elevados do petróleo e constatando que os Estados Unidos saem prejudicados por sua presença no Iraque, o regime iraniano se considera em posição de força.

"Gostaríamos que a diplomacia se impusesse, mas os americanos querem nos humilhar, querem que renunciemos a nossos direitos legítimos, e se não o fizermos eles vão nos atacar", declarou à AFP um alto representante do governo iraniano, que não quis ser identificado.

O Irã não pretende ceder às pressões. "Prevemos que tudo isso vai desembocar num ataque americano contra o Irã, e estamos preparados para essa eventualidade", acrescentou a fonte.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai se reunir em breve para esboçar uma estratégia, depois de os iranianos terem se recusado mais uma vez a suspender suas atividades nucleares sensíveis e a cooperar plenamente com a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA).

Eventuais sanções contra o Irã são possíveis, advertiram quarta-feira as autoridades americanas.

Porém, apesar das ameaças, Teerã insiste em seu "direito" de enriquecer urânio em pequena escala, com fins científicos.

Os ocidentais recusam esse direito ao país por suspeitar que a República Islâmica queira desenvolver por trás desse programa um arsenal nuclear.

"O Irã resistirá aos Estados Unidos", afirmou Mohammed Sadeq al-Husseini, um analista considerado politicamente moderado.

"Os dirigentes iranianos contam com o apoio de um povo. Além disso, os estados Unidos estão mais fracos agora do que antes de invadir o Iraque", disse esse analista.

O diretor do jornal conservador Qods, Gholamreza Ghalandarian, afirmou que "mesmo se o Irã aceita continuar as negociações, isso não significa que nós permitiremos que nossos direitos sejam ignorados".

"A questão nuclear é entre o Irã e os Estados Unidos. O último plano dos americanos para o Oriente Médio é assentar sua dominação na região", frisou.

Além de ser o segundo maior produtor de petróleo da OPEP, o Irã mantém vínculos com grupos islamitas nos países da região, seja o movimento Badr no Iraque, o Hezbollah no Líbano ou o Hamas nos territórios palestinos.

"As autoridades americanas se servem da questão nuclear como pretexto para enfrentar o regime islâmico", afirmou nesta quinta-feira a maior autoridade do Estado, o Guia Supremo Ali Khamenei.

"Se tivéssemos desejado, teríamos criado muitos problemas aos Estados Unidos na região, em todos os países onde eles estão, como o Iraque e o Afeganistão", afirmou a fonte anônima do regime iraniano.

"Se os americanos nos atacarem, atacaremos seus interesses em todas as partes do mundo, dentro e fora desta região. Faremos com que eles percam seu estatuto de superpotência", ameaçou a mesma fonte.

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