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10/03/2006 - 17h21

Sinais de água abre possibilidade de vida em lua de Saturno

Por Jean-Louis Santini WASHINGTON, 10 mar (AFP) - O descobrimento de vestígios de água em Enceladus, uma das luas de Saturno, leva os cientistas a considerarem a possibilidade de encontrar organismos vivos num novo lugar do sistema solar.

As imagens de alta precisão recentemente obtidas pela sonda americana Cassini parecem indicar a existência de água líquida que "estala como um gêiser" em Enceladus, o que pode significar que a vida pode se desenvolver numa diversidade de ambientes mais ampla do que se acreditava, segundo a agência espacial americana Nasa.

A Cassini "poderia ter encontrado evidência de reservas de água líquida que provocam erupções na superfície da lua Encelado, como os gêisers do parque Yellowstone dos Estados Unidos", indicou nesta quinta-feira a agência espacial americana num comunicado.

"Poderíamos ter provas da presença de água líquida neste corpo celeste tão pequeno e tão frio", declarou Carolyn Porco, um dos cientistas responsáveis pela missão e principal autora do estudo publicado na revista Science de 10 de março. Se este descobrimento se confirmar, "teremos ampliado consideravelmente os lugares do sistema solar onde poderiam existir condições que permitem a vida dos organismos", acrescentou esta especialista em imagens do Instituto de Ciências Espaciais (SSI, na sigla em inglês) em Boulder (Colorado, oeste). Estes jorros de água e vapor poderiam proceder de formações, uma espécie de bolsa, situadas perto da superfície de Encelado e cuja temperatura está acima dos zero graus Celsius, como o gêiser Old Faithful, em Yellowstone.

"Sabemos que existem pelo menos três lugares no sistema solar onde há atividade vulcânica: Io, a lua de Júpiter, a Terra e talvez Tritón, a lua de Netuno", afirmou John Spencer, um cientista do Southwest Research Institute, em Boulder. "O descobrimento de Cassini muda tudo, transformando Encelado no último membro deste exclusivo clube e um dos lugares mais interessantes do sistema solar" para investigar a existência de vida, acrescentou.

No entanto, David Morrison, um pesquisador do Instituto de Astrobiologia da Nasa, pediu prudência. Morrison disse que não se pode tirar conclusões precipitadas sobre a possível presença de organismos em Encelado.

"Este descobrimento é, sem dúvida, muito interessante, mas não temos mais informações no momento", disse. "Outras luas contêm oceanos de água líquida cobertos por quilômetros de gelo", indicou Andrew Ingersoll, um membro da equipe científica de Cassini no California Institute of Technology, em Pasadena (Califórnia, oeste).

"A diferença neste último caso é o fato de que as bolsas de água poderiam estar apenas a algumas dezenas de metros da superfície", afirmou.

Os astrofísicos pensavam que Encelado, cujo diâmetro tem no máximo 505 km, era um astro morto e frio. A partir de agora, consideram que esta lua é geologicamente ativa, com um Pólo Sul bastante quente.

Encelado é a lua mais brilhante do sistema solar, destacaram estes astrônomos. A sonda Cassini foi lançada em 1997 e entrou na órbita de Saturno em 2004, explorando seus anéis e um grande número de suas luas. A sonda fez três vôos de aproximação a Encelado no ano passado e deverá passar perto desta lua, a 354 km de altitude, em 2008.

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