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10/03/2006 - 15h21

Universidade parisiense de Sorbonne é invadida

Por Alain BommenelPARIS, 10 mar (AFP) - Metade das universidades francesas foram atingidas nesta sexta-feira pelo movimento de contestação contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE), com a Sorbonne sendo invadida por centenas de jovens, marcando uma escalada do conflito com o governo.

Em Paris, os jovens enfrentaram a polícia perto da Universidade de Sorbonne que invadiram, em seguida.

Cerca de 600 jovens, segundo o reitorado, irromperam nesse edifício histórico, símbolo da universidade francesa - um fato inédito desde a revolta estudantil de maio de 1968.

"Não queremos repetir o Maio de 68. O contexto agora é diferente, em 1968, quando os estudantes saíam da faculdade, eles encontravam um emprego", disse Elodie, estudante de sociologia.

Os manifestantes rejeitam a "precariedade" característica, segundo eles, do Contrato Primeiro Emprego (CPE), também denunciado pelos sindicatos e por partidos de esquerda.

Lançado pelo primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, e aprovado na quinta-feira pelo Parlamento, o CPE, de inspiração liberal, é reservado aos menos de 26 anos. Ele estipula que uma empresa pode demitir um funcionário sem justificativa durante um período de dois anos.

Para Villepin, o CPE vai permitir reduzir o desemprego, que atinge 23% dos menos de 25 anos no mercado de trabalho, um dos níveis mais elevados da Europa.

No entanto, sindicatos e movimentos estudantis parecem mais do que nunca determinados a impedir a aplicação do CPE.

Eles anunciaram na noite de quinta-feira um novo dia nacional de protestos para 18 de março. Os estudantes também fizeram um apelo a um dia de ações em 16 de março, com o apoio de alguns sindicatos.

Além da Sorbonne, greves e bloqueios eram praticados nesta sexta-feira em cerca de 40 outras universidades, constatou a AFP.

O ministro da Educação, Gilles de Robien, declarou que as manifestações nas universidades eram "pouco democráticas" e podiam "ser perigosas". Ele afirmou que "parte dos jovens é manipulada por partidos políticos".

Estudantes e sindicatos querem tirar proveito das manifestações de terça-feira, que mobilizaram entre 400.000 e um milhão de pessoas. As pesquisas de opinião mostraram que uma maioria dos franceses é oposta ao CPE.

O líder do Partido Socialista (PS), François Hollande, avisou o governo que o conflito será "demorado" se não forem empreendidas negociações.

Porém, Villepin já afirmou que não cederá, e que o CPE será aplicado nas próximas semanas.

Ele ofereceu no entanto "modificações" no contrato, uma solução rejeitada pelos sindicatos e pelos jovens.

O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, rival potencial de Villepin nas eleições presidenciais de 2007, expressou seu apoio ao primeiro-ministro.

"O CPE foi votado, e tem que ser aplicado. Trata-se de um percurso de contratação, e o primeiro-ministro disse que havia uma margem para a negociação e a discussão", ressaltou.

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