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21/03/2006 - 15h31

IV Fórum Mundial da Água: soluções simples para enfrentar crise global

Por Jennifer González CIDADE DO MÉXICO, 21 Mar (AFP) - Fernando Chanduvi é um peruano aposentado, que se dedica à fabricação gratuita de pequenas bombas d'água que funcionam com pedais, uma solução muito simples que pode ajudar a suavizar os preocupantes cenários de produção agrícola apresentados no IV Fórum Mundial da Água, que se encerra nesta quarta-feira na capital mexicana.

"Pode levar a água necessária a uma horta familiar", explica, orgulhoso, Chanduvi, aposentado da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), ao falar de suas bombas no módulo informativo, situado no corredor principal do evento.

A FAO estima que a demanda mundial por alimentos aumentará tanto no ano 2030 que será necessário ampliar em mais de 60% as áreas de terra cultivada, enquanto o Banco Mundial considerou necessário investir 40 bilhões de dólares ao ano em sistemas de irrigação para evitar uma crise alimentar.

Dificilmente as metas do milênio para 2015 - alimentar 22 milhões de pessoas ao ano - poderão ser cumpridas, concordaram especialistas e ativistas que participam do fórum.

"No Peru construí 160 unidades e acabamos fazendo contato com pessoas de Michoacán (oeste do México) para capacitar as pessoa para poder construir in loco", continua Chanduvi.

O especialista peruano é voluntário da organização suíça "Water for the Third World" (Água para o Terceiro Mundo), que criou bombas e as instalou em comunidades de Índia, Nepal, Tanzânia, Nigéria, Quênia, Peru, Burkina Faso, Senegal, China e Paraguai.

A incapacidade dos governos nacionais para levar água a 17% da população mundial, mais de um bilhão de pessoas, multiplicou uma variada gama de criativas propostas locais, como a dessalinização da água do mar ou também outro tipo de bombas que têm como motor uma bicicleta ergométrica.

Lersak Rewtarkulpaiboon, diretor do Instituto do Meio Ambiente e Irrigação da Tailândia, diz que as bombas de seu país são melhores do que as de Chanduvi porque não são tão pequenas, embora reconheça que são alguns dólares mais caras.

Durante o fórum se discute pela primeira vez se o direito à água deve ser incluído nas Constituições e leis de todos os países, assim como se deve tornar o Estado o único responsável pela operação dos sistemas hídricos, ou se seria mais conveniente que o setor privado o fizesse, em vista de sua capacidade técnica.

"A água é uma questão de investimento" com o qual só o setor privado pode arcar, disse o magnata mexicano Carlos Slim. "Os organismos internacionais, como o Banco Mundial, têm que dar e não emprestar" dinheiro aos países mais pobres para criar infra-estrutura hidráulica, considerou antes o diretor do Conselho Mundial da Água, que revelou que suas palavras incomodaram diretores das instituições bancárias presentes do fórum.

"Enquanto líderes mundiais discutem soluções para a crise global da água (...), 400 milhões de crianças estão privadas de água segura", denunciaram os pequenos, ao fim de seu próprio fórum, também celebrado na capital mexicana.

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