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24/03/2006 - 16h54

Brasil envia primeiro astronauta ao espaço

RIO DE JANEIRO, 24 Mar (AFP) - O tenente-coronel da Força Aérea Marcos César Pontes realiza na próxima quarta-feira a primeira e histórica viagem de um astronauta brasileiro ao espaço - marcada por objetivos científicos e tecnológicos que permitirão ao Brasil dar visibilidade a seu programa espacial e competir no mercado da indústria espacial. A nave russa Soyuz TM-8, que levará Pontes à Estação Espacial Internacional (ISS), será lançada do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 8h29 locais do dia 30 (23h29 do dia 29, hora de Brasília) para uma missão de oito dias.

Para o astronauta, de 43 anos, um dos benefícios da viagem é a oportunidade futura para "empresas brasileiras de fazer contratos paralelos de exportação gerando, assim, mais desenvolvimento tecnológico, saldo na balança comercial e mais empregos", declarou em entrevista recente.

Outro benefício da missão, segundo Pontes, é sua importância para o desenvolvimento do orgulho nacional em outras áreas, além do futebol.

"Temos muito orgulho da nossa seleção de futebol. Literalmente vestimos o 'verde-e-amarelo' durante as copas. Que bom se tivéssemos esse mesmo sentimento com relação às realizações brasileiras em tecnologia e ciência (...

) É isso que o primeiro vôo orbital brasileiro pode ajudar a construir", destacou. A viagem de um astronauta brasileiro à estação orbital havia sido planejada desde 1997, após a assinatura de um acordo intergovernamental, ainda em vigor, entre o Brasil e os Estados Unidos, segundo o qual o Brasil, através da Agência Espacial Brasileira (AEB), teria o direito à participação científica na ISS, com tripulante incluído, em troca de equipamentos fornecidos à cota da Nasa (agência espacial americana) para a montagem da estação.

No entanto, a revisão da participação brasileira (de uma estimativa inicial de US$120 milhões em cinco anos para um teto de US$ 10 milhões ao ano desde 2003) e a suspensão do programa de ônibus espaciais da agência americana levaram o Brasil a aceitar um convite feito pela Roscosmos (agência espacial russa) para enviar ao espaço seu primeiro astronauta este ano. A assinatura de um contrato comercial, em outubro de 2005, entre a AEB e a Roscosmos, viabilizou a viagem - um investimento alto destinado a dar visibilidade ao programa espacial brasileiro. A carga institucional inclui selos comemorativos, três medalhas especialmente cunhadas para a ocasião pela Casa da Moeda e a bandeira brasileira oficial da missão, que será entregue ao presidente Lula após o vôo.

Na viagem de ida, o brasileiro estará acompanhado dos integrantes da 13ª expedição da ISS: o cosmonauta russo Pavel Vinogranov, comandante, e o astronauta americano Jeffrey Williams, engenheiro de vôo. Os tripulantes levarão dois dias para chegar à estação.

Williams e Vinogranov ficarão seis meses em órbita da Terra, numa missão concentrada nos preparativos para o prosseguimento da montagem da estação, que deve ser concluída entre 2009-2010, e a realização de experiências científicas que darão suporte à exploração espacial e aos vôos de longa duração. O retorno do brasileiro está previsto para 9 de abril, juntamente com os integrantes da 12ª missão da ISS: o americano William McArthur (comandante) e o russo Valery Tokarev (engenheiro de vôo). A volta à Terra deverá durar menos de três horas e meia.

A missão é cercada de polêmica no Brasil, onde tem sido defendida e criticada por vários cientistas. De um lado estão aqueles que a consideram um instrumento de marketing, para os quais o valor pago pelo governo brasileiro (US$10 milhões) deveria ser investido em outras áreas prioritárias, como o desenvolvimento do foguete Veículo Lançador de Satélites (VLS), projeto que consta do programa espacial brasileiro. De outro, seus defensores destacam a importância para a divulgação deste programa e a oportunidade única de testar experimentos de universidades e centros de pesquisa nacionais em condições que só o espaço oferece.

Nos oito dias em que ficará a bordo da ISS, Pontes realizará oito experiências de biotecnologia, microeletrônica, mecânica e biologia. Estão previstas ainda três viodeoconferências, cada uma com dez minutos de duração: uma reservada com o presidente Lula e outras duas com cientistas e jornalistas. Referências ao País não faltam na bagagem do astronauta, que levará uma réplica do chapéu de Santos Dumont, uma foto de Jesus Cristo, uma bandeira do Brasil que o acompanha desde o início do treinamento na Nasa, em 1998, uma bola verde e amarela e duas camisetas: uma da seleção brasileira de futebol e outra estampada com o rosto de Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar ao espaço, em 1961. Junto a 10 patches das instituições que apóiam a missão (FIESP, Senai-SP, Sesi e Força Aérea Brasileira), ele levará dois CDs de música, fotos da família e uma camiseta de seus alunos de sua cidade natal, Bauru (a 325 km de São Paulo, sudeste), onde habitualmente dá palestras. Trata-se de uma oportunidade ímpar, já que aliado à façanha de Pontes, o País se prepara para as comemorações do centenário do vôo pioneiro de Santos Dumont, realizado em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, a bordo do 14-Bis - avião projetado e construído por ele.

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