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03/04/2006 - 14h25

Arte com organismos geneticamente modificados na Bienal de Berlim

=(FOTOS)= BERLIM, 3 abr (AFP) - A Bienal de Arte de Berlim tenta neste ano aproximar a criação artística da ciência apresentando uma curiosidade: uma instalação intitulada "Performance Envelope", que utiliza uma planta geneticamente modificada e que reage à presença de explosivos e substâncias químicas contaminantes.

A quarta edição da Bienal de Arte de Berlim, inaugurada no dia 25 de março, será realizada até o dia 25 de abril.

As pesquisas realizadas pela empresa dinamarquesa Aresa e divulgadas em 2004 geraram uma forma modificada da denominada berro de Tales (Arabidopsis thaliana, planta comestível, da família das escrofulariáceas), que pode detectar a presença de minas antipessoais e de metais altamente contaminantes.

Entre três e seis semanas depois da semeadura, as folhas adquirem uma coloração avermelhada quando as raízes da planta entram em contato com o dióxido de nitrogênio, uma substância encontrada nos explosivos.

Os dois artistas dinamarqueses, que criaram a instalação, Jakob Friis e Julie Lindhardt, foram convidados a apresentar o seu projeto na exposição "Treasure", realizada em um centro de arte criado na antiga fábrica de cerveja Koenigstadt Brauerei de Berlim.

Nesta antiga cervejaria escura, úmida e fria os segredos de um radar nazista eram escondidos durante a Segunda Guerra Mundial, uma coincidência significativa para os dois artistas.

"Nós nos concentramos sobre este último aspecto da história deste lugar. De alguma forma, a planta se comporta da mesma forma que um radar", declararam os artistas, para quem esta instalação representa "a abertura de um diálogo" sobre os organismos geneticamente modificados (OGM).

Os brotos de berro são apresentados em duas caixas transparentes que contêm dez centímetros de terra e são iluminadas no interior por uma luz de néon. Na metade de cada caixa, alguns dos brotos foram plantados sobre um solo contaminado, permitindo assim ver a evolução do experimento científico.

"Não se trata de tomar partido", esclareceram os artistas. Esta instalação está localizada sobre os dois lados de uma longa rampa pintada de preto, como forma de manifestar que é possível ter duas opiniões.

Mostra principalmente a "nossa responsabilidade nos acontecimentos contemporâneos", afirmou Jakob Friis, mas também busca "suscitar uma emoção" no público "que viu de perto" uma revolução tecnológica.

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