UOL Notícias Notícias
 

03/04/2006 - 19h16

Tecnologia, guerra e Viagra podem distorcer o sexo, dizem especialistas

SAN FRANCISCO, EUA, 3 abr (AFP) - O sexo cibernético, a guerra e os medicamentos para disfunção erétil são ingredientes de uma cultura mais violenta e inepta para as relações sociais, avalia um painel de sexólogos reunidos nos Estados Unidos.

O tema surgiu durante a conferência "O futuro do sexo", um encontro sem precedentes realizado perto de Santa Fé, no Novo México (sudoeste) que reuniu no final da semana durante três dias cerca de 100 especialistas.

"A falta de interação no sexo é algo que me preocupa", disse a diretora do Instituto Kinsey para a Pesquisa sobre Sexo, Gênero e Reprodução, Julia Heiman.

"Se continuarmos na direção do sexo virtual, o que nos resta? O âmbito pessoal da relação está relegado a segundo plano", advertiu Heiman, em teleconferência com jornalistas.

Embora o sexo cibernético induzido por medicamentos como o Viagra possa ser tentador, está "destinado a frustrar", porque a vida real raramente compete com as fantasias, justificaram os especialistas.

"A vertiginosa velocidade do desenvolvimento tecnológico permite a cada um criar seu próprio ideal erótico e uma experiência multissensorial de sexo virtual", completou Heiman.

Um fator agravante talvez seja o dos laboratórios que tentam, ansiosamente, expandir a oferta de remédios para realçar a atividade sexual, acrescentou ela.

As drogas que estimulam a ereção podem exacerbar a "individualização" do sexo, alertou, por sua vez, o professor John Gagnon, da Universidade de Nova York, em Stony Brook, explicando que "o outro membro do casal pode não querer essa ereção".

Para ele, a combinação de tecnologia e de medicamentos empurra as pessoas para fora das relações sociais e reduz sua capacidade de manter vínculos.

Outro ingrediente potencialmente perturbador nesta mistura são os ataques do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, e a posterior "guerra ao terrorismo", que fizeram com que as pessoas se acostumassem com a violência, opinou Julia Heiman.

"A tolerância à violência pode ter regressado", acrescentou, "e quando isso acontece, tolera-se a violência sexual".

O paradoxo é que, ao mesmo tempo que a tecnologia separa as pessoas, a Internet as aproxima, tornando-se cada vez mais um lugar para que as pessoas com interesses parecidos formem comunidades on-line e busquem novos relacionamentos, rebateu a professora de Sociologia na Universidade de Washington Pepper Schwartz.

"Na minha experiência, as pessoas querem sair da rede o mais rápido possível. As pessoas querem companhia, buscam o amor", completou.

Os especialistas acreditam ainda que haverá, na próxima década, mais estudos sobre raça, medicina, idade, tecnologia e o conservadorismo político que afetam a sexualidade. Neste caso, a Internet também pode ser uma útil ferramenta para dissipar crenças generalizadas sobre estilos sexuais, saúde e tendências.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host