UOL Notícias Notícias
 

06/04/2006 - 20h10

Bush autorizou vazamento de nome de agente da CIA, segundo ex-assessor

WASHINGTON, 6 abr (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, autorizou o vazamento de diversas informações reservadas, incluindo a identidade de uma agente da CIA, para obter apoio à invasão do Iraque, revelou nesta quinta-feira Lewis "Scooter" Libby, ex-chefe de gabinete do vice-presidente americano, Dick Cheney.

Segundo um documento que o procurador Patrick Fitzgerald enviou na quarta-feira à Justiça, Libby garante que recebeu a "aprovação do presidente, via vice-presidente", para divulgar diversas informações secretas envolvendo o Iraque.

Libby é acusado de revelar à imprensa a identidade da agente da CIA Valerie Plame, o que nos Estados Unidos é crime federal.

O marido da agente, o ex-diplomata Joseph Wilson, afirma que altos funcionários da Casa Branca revelaram a identidade de sua esposa para se vingar, porque ele acusou o governo de adulterar informações de inteligência para justificar a invasão do Iraque.

O procurador Patrick Fitzgerald, que investiga o caso Plame, enviou à Justiça um documento, no qual Libby conta que falou com a jornalista do "The New York Times" Judith Miller para informar o nome da agente da CIA, depois de conversar sobre o assunto com Cheney.

"A participação do acusado em uma conversa crucial com Judith Miller em 8 de julho foi realizada depois que o vice-presidente disse ao acusado que o presidente havia autorizado ao acusado divulgar certas informações contidas no NIE (National Intelligence Estimate)", que é uma prestação de contas dos serviços de inteligência.

Wilson, marido de Plame, questionou publicamente certos argumentos de Bush para invadir o Iraque, especialmente a suposta venda de urânio enriquecido do Níger para o Iraque.

No documento enviado à Justiça, Fitzgerald não afirma que Bush ou Cheney autorizaram diretamente a revelação da identidade de Plame.

O senador democrata Chuck Schumer defendeu que a questão "vai muito além de Scooter Libby", alegando que, "no mínimo, o presidente Bush e o vice-presidente Cheney deverão informar aos americanos sobre sua responsabilidade".

Libby - que renunciou ao cargo no governo ao ser indiciado, no final de 2005 - nega as acusações de obstrução à Justiça, perjúrio e falso testemunho.

O processo contra o ex-assessor de Cheney começará em janeiro de 2007, após as eleições para renovar parcialmente o Senado e a Câmara de Representantes.

Judith Miller passou 12 semanas na prisão, em meados de 2005, por não revelar sua fonte no caso, mas finalmente informou que Libby tratou do assunto com ela.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host