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06/04/2006 - 07h48

Começam os preparativos para o retorno de Marcos Pontes

MOSCOU, 6 abr (AFP) - Os preparativos para o resgate do astronauta brasileiro Marcos César Pontes já tiveram início. O médico que o acompanha desde sua escolha para a viagem espacial, Luiz Carlos Lutiis, parte na manhã desta quinta-feira de Moscou para Arkalyk, norte do Cazaquistão, onde o pouso da Soyuz está previsto para a madrugada de domingo, 9 de abril (20h56 de Brasília, sábado, 8 de abril).

Se a primeira tentativa falhar, os astronautas terão outras duas oportunidades para tentar o pouso: a primeira 1h30 depois da hora prevista e a segunda só no dia seguinte.

Pontes voltará à Terra a bordo de uma nave Soyuz acompanhado dos integrantes da 12ª missão da Estação Espacial Internacional (ISS), o russo Valery Tolkarev e o americano William McArthur, que estão no espaço há seis meses.

Embora a Soyuz seja composta de três módulos - orbital, de descida e instrumentação/propulsão - só chegará à Terra o intermediário, no qual viajam os tripulantes. Os outros dois serão descartados antes da reentrada.

A viagem de volta é o momento mais delicado da missão, já que a cápsula com os tripulantes entra na atmosfera com uma velocidade média de 28 mil km/h. Além disso, os dois únicos acidentes da Soyuz com mortes ocorreram exatamente no retorno, em 1967 e em 1971.

"É um fenômeno inacreditável porque a cápsula entra na Terra como se fosse um cometa", explica o primeiro vice-comandante do Centro de Treinamento dos Cosmonautas, na Cidade das Estrelas (proximidades de Moscou), e chefe da equipe de resgate das missões 12 e 13, general Valery Korzun.

Para reduzir a velocidade e garantir um pouso seguro, quatro pára-quedas da Soyuz são acionados em seqüência, 15 minutos antes da aterrissagem. Dois pára-quedas piloto são os primeiros a serem abertos e um terceiro, com 24 metros quadrados, preso ao segundo piloto, abre imediatamente depois. O pára-quedas principal, com mil metros quadrados, é o último a ser acionado e reduz a velocidade para 7,2 metros por segundo. Ele também é responsável por posicionar a cápsula verticalmente antes do pouso. "A sensação é muito pior do que a da ida. Depois que o primeiro pára-quedas é acionado, a cápsula gira como uma centrífuga. O impacto da gravidade é muito grande: os dentes se cerram, os olhos giram cada um para um lado, há uma redistribuição do sangue, uma sensação de tonteira", explica Valery Korzun. A oito metros do solo, dois conjuntos de três motores localizados na parte posterior da cápsula são acionados para reduzir a velocidade para 1,5 metro por segundo, para que o impacto seja o menor possível. Por fim, as poltronas da cápsula, denominadas "kasbiekh", feitas sob medida para cada tripulante, são a última ferramenta para tornar a aterrissagem mais suave.

Logo após o pouso, entram em cena as equipes de resgate, que partem da cidade de Arkalyk em busca do local onde está a cápsula, num raio de aproximadamente 60 quilômetros. "A localização visual não é difícil, pois o pára-quedas principal tem mil metros quadrados e a cápsula tem um sinalizador", conta Korzun.

Participam da operação, que dura quase sete horas, nove helicópteros MI-8, um avião com capacidade para voar a grande altitude, responsável por captar os primeiros sinais da cápsula, além de três carros com tração nas quatro rodas. O alerta é dado pelo avião. Um helicóptero com médicos e especialistas em resgate é o primeiro a seguir para o local, onde abrem a cápsula e retiram os cosmonautas de seu interior. Ao mesmo tempo, outros três helicópteros sobrevoam as redondezas.

Os cosmonautas são, então, colocados em poltronas especiais dentro de tendas aquecidas, onde são submetidos a exames médicos e tiram o "sokol", o traje espacial. Eles seguem de helicóptero até Kustanay, no Cazaquistão, de onde partem de avião para Moscou e dali direto para a Cidade das Estrelas, onde entram em quarentena.

A quarentena de Pontes durará apenas oito dias, já que o brasileiro não deve apresentar grandes alterações físicas após passar dez dias no espaço (dois a bordo da Soyuz e oito na ISS), mas seus companheiros russo e americano precisarão de mais tempo para recuperar a massa muscular perdida, depois de uma temporada na ISS iniciada em outubro de 2005.

"Depois de passar seis meses no espaço, você sente duas vezes mais a gravidade da Terra. Tudo parece ter um peso enorme. Um simples livro parece pesar dez quilos", explica Valery Korzun, que fala com a experiência adquirida após dois períodos de seis meses no espaço: em 1996, na estação orbital russa Mir, e em 2002, na ISS.

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