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06/04/2006 - 16h28

Mundo precisa de mais 4 milhões de profissionais da saúde (OMS)

=(INFOGRAFIA+FOTO)=ATENÇÃO - Embargo até as 22H01 GMT, 19H01 desta quinta-feira GENEBRA, 6 abr (AFP) - O mundo possui um déficit de quatro milhões de médicos, enfermeiras e outros profissionais da saúde para fazer frente às necessidades atuais, sendo 2,3 milhões nos países em desenvolvimento, considera a Organização Mundial da Saúde.

O relatório anual da OMS, que será divulgado nesta sexta-feira durante a Jornada Mundial da Saúde, ressalta "a magnitude desta crise de falta de profissionais nos países mais pobres" e preconiza uma "resposta urgente, durável e coordenada".

De acordo com o relatório, 57 países atravessam "uma grave penúria de pessoal da saúde" que os impede de vacinar crianças, assegurar os cuidados pré-natais ou tratar de pacientes com Aids, malária e tuberculose. Entre estes países, 36 estão situados na África subsaariana.

"Enquanto a população mundial aumenta, o número de profissionais da saúde continua estagnado ou diminui quando mais precisamos deles", constata Lee Jong-wook, diretor-geral da OMS.

A OMS estima em 59,2 milhões o número de profissionais da saúde no mundo. Mas estão concentrados nos países ricos e nas zonas urbanas, enquanto os países pobres sofrem com um êxodo de profissionais, às vezes organizado, como em Gana ou nas Filipinas que acabam formando enfermeiras para exportação.

"Os profissionais qualificados emigram para os países mais ricos, em busca de um emprego bem remunerado", explica Timothy Evans, vice-diretor geral da OMS. Para o Dr. Evans, "a situação será bem mais grave em 10 ou 15 anos". "É preciso se antecipar e há no momento poucas medidas sendo tomadas neste sentido".

Muitas mortes provocadas pelas doenças infecciosas e as complicações durante a gravidez e o parto (dez milhões de mortes por ano) poderiam ser evitados se houvesse mais agentes de saúde. Hoje, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso aos cuidados mais básicos, freqüentemente devido à falta de pessoal, ressalta a OMS.

Entre os países mais atingidos pela penúria estão Índia, Indonésia, República Democrática do Congo, Quênia, Tanzânia e Peru.

É preciso que sejam recrutados no mundo 2,4 milhões de médicos e enfermeiras, sem contar os outros agentes da saúde.

A África negra é "o epicentro da crise mundial que engloba os profissionais dos serviços sanitários", segundo o relatório. Há em média 2,3 profissionais da saúde para cada 1.000 pessoas nesta parte do mundo (contra 18,9 na Europa e 24 nas Américas), embora o continente negro possua 24% dos casos mundiais de morbidade.

Menos de 30% do orçamento da saúde na África é dedicado a profissionais de saúde, contra 35% no Sudeste Asiático, 42% na Europa e 50% na América. A África subsaariana possui 3% dos agentes de saúde no mundo e suas despesas com esta área representam 1% do total mundial, contra 37% e 50% nas Américas.

No entanto, a falta de pessoal qualificado e o desemprego coexistem. O relatório denuncia "as imperfeições do mercado de trabalho no setor privado, a falta de investimentos públicos, a burocracia administrativa e as ingerências políticas", assim como as estratégias de ajustamento estrutural que restringem as contratações e a formação no setor público.

"Os salários miseráveis, a falta de reconhecimento social e a pequena perspectiva na carreira" também influenciam. A OMS recomenda aos governos que adotem estratégias baseadas na produtividade, formação e planejamento dos recursos humanos.

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