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13/04/2006 - 11h17

Médicos britânicos despertam coração adormecido por 10 anos

LONDRES, 13 abr (AFP) - Pela primeira vez, médicos de um hospital de Londres fizeram funcionar o coração de uma menina de 12 anos, que permaneceu adormecido durante uma década, em uma cirurgia divulgada nesta quinta-feira na Grã-Bretanha como uma façanha científica.

Hannah Clark, de Gales, afetada por uma cardiomiopatia, foi submetida há dez anos a um trasplante de coração, que foi colocado ao lado de seu próprio órgão.

Durante dez anos, a menina sobreviveu graças ao coração de um doador, mas seu próprio coração nunca foi extraído do corpo.

Porém, em novembro de 2005, os médicos do hospital Great Ormond Street, na capital britânica, perceberam, durante exames de rotina, que o corpo de Hannah estava rejeitando o coração enxertado quando ela tinha apenas dois anos.

Os médicos, assessorados pelo cirurgião Magdi Yacoub, que efetuou o trasplante de coração há dez anos, denominado heterotópico, decidiram então tentar reativar o coração adormecido da pequena, em uma operação considerada uma inovação no país e, talvez, no mundo.

O órgão enxertado há 10 anos foi retirado e os médicos voltaram a conectar o próprio coração da menina, em uma operação realizada no dia 20 de fevereiro que deveria durar oito horas, mas terminou em apenas quatro.

O professor Yacoub explicou nesta quinta-feira à rádio BBC que não é comum deixar o coração enfermo no corpo após um transplante.

"Porém, pensamos que existia uma pequena probabilidade de seu coração se recuperar. E foi isso que aconteceu", declarou.

"O coração dela se recuperou. É realmente uma notícia absolutamente maravilhosa", disse o professor Yacoub.

"Agora ela é uma menina feliz com seu próprio coração. As complicações acabaram. Este é um final muito feliz", acrescentou o médico.

O professor Peter Weissberg, diretor médico da Fundação Britânica do Coração, ressaltou a importância da operação, explicando que a mesma constitui um avanço decisivo no tratamento de pessoas afetadas por cardiomiopatia, uma enfermidade que provoca a inflamação do coração e não permite seu funcionamento adequado.

Weissberg qualificou a intervenção de "apaixonante". Ele disse que cirurgiãos como Magdi Yacoub pensavam há muito tempo que se um coração está com problemas de inflamação grave, poderia recuperar-se com um descanso.

"Isto é exatamente o que parece ter acontecido neste caso. O coração trasplantado permitiu um descanso ao coração da paciente", afirmou Weissberg.

Ele acrescentou que atualmente uma solução para a cardiomiopatia seria instalar um dispositivo mecânico temporário que poderia ser retirado depois de alguns meses. Porém, este mecanismo não estava disponível há uma década, quando Hannah foi submetida ao transplante, lembrou.

A mãe de Hannah, Elisabeth Clark, afirmou que a menina se recupera muito bem e que não precisa tomar os medicamentos necessários durante o período em que teve o coração transplantado para prevenir uma rejeição ao órgão.

"Hannah desfruta da vida e deseja voltar à escola depois da Semana Santa", declarou a feliz mãe à televisão.

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