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28/04/2006 - 17h53

Tudo pronto para expedição entre Peru e Polinésia a bordo de uma balsa

Por Roberto Cortijo=(FOTOS)= LIMA, 28 Abr (AFP) - Quase 60 anos depois da aventura do navegador Thor Heyerdhal no Kon Tiki, uma expedição de quatro noruegueses, um sueco e um peruano tentará, a partir desta sexta-feira, repetir o trajeto entre o Peru e a Polinésia a bordo da balsa Tangaroa, semelhante à utilizada pelos incas.

A bordo da embarcação estará Olav Heyerdhal, de 28 anos, neto do explorador que, em 1947, fez uma travessia de 8.500 quilômetros em 101 dias para demonstrar que os antigos peruanos podiam viajar até a Polinésia, usando balsas construídas com materiais que tinham à mão.

A balsa, que partiu nesta sexta-feira de El Callao (porto de Lima), foi construída pela própria tripulação nas instalações do Sistema Industrial da Marinha de Guerra do Peru.

"O objetivo é fazer esta rota em menos dias. Queremos provar o sistema de navegação que as antigas culturas peruanas empregaram e buscar evidências de danos ecológicos e seguir os passos de Thor Heyerdahl", disse à AFP Torgeir Higraff, chefe da expedição.

"Trabalhamos com mais de 200 pessoas neste projeto há vários anos, temos painéis solares, sistemas eólicos, um GPS... O Kon Tiki tinha o melhor disponível em 1947, nós temos o melhor disponível em 2006", acrescentou.

A tripulação contará, ainda, com modernas cartas de navegação, equipamentos de localização e comunicação por telefone via satélite, além de antena para conexão à internet.

O peruano Roberto Salas (44 anos), eleito pela Marinha entre uma dezena de oficiais para participar da expedição, disse que a viagem será uma contribuição à pesquisa das técnicas de navegação local usadas na época pré-hispânica e.

A balsa tem 17 metros de comprimento por oito de largura. Foi construída com 11 troncos de balsa (madeira mais leve que a cortiça) em forma vertical e sete vigas horizontais trazidas do Equador, amarradas com soga. Esta madeira foi levada da selva equatoriana flutuando por um rio até o porto de Guayaquil, de onde foi embarcada para o Peru.

Diferentemente do Kon Tiki, o Tangaroa (nome de um deus do mar polinésio) conta com um sistema de leme formado por peças de algarobo em forma de faca que são dispostas entre os troncos e amarradas na base da balsa.

Tem uma vela maior a 90 metros quadrados (três vezes maior que a do Kon Tiki), que ficará suspensa a 13 metros de altura. Além disso, é equipado com uma cabine de 15 metros quadrados, feita de bambu e de "totora", junco originário do Lago Titicaca, no Peru.

A alimentação dos navegadores será composta de batata seca e "chuño" (batata seca no tempo e depois triturada), charque de alpaca, carne de boi e peixe seco, além de 400 rações doadas pela Marinha americana, 1.500 litros de água e peixe fresco que for pescado no caminho.

"Meu avô não conheceu o projeto antes de morrer" (em 2002), disse Olav Heyerdahl, um loiro de 28 anos com a pele queimada de sol e que será o carpinteiro e mergulhador do grupo. "Não sou marujo e este será meu batismo no mar", disse.

Seu avô, Thor, quis provar que os marinheiros da costa sul-americana da época pré-incaica podiam navegar até a Polinésia e podem ter sido os primeiros habitantes daquele arquipélago.

Mas ainda que a expedição tenha sido um sucesso, para a grande maioria dos historiadores os antigos habitantes polinésios vieram da Indonésia.

Heyerdahl ficou famoso ao escrever um livro contando sua odisséia no Oceano Pacífico a bordo do Kon-Tiki, nome do deus-sol nas culturas pré-incaicas.

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