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03/05/2006 - 15h53

Etanol surge como alternativa ao crescente problema energético americano

Por Mary Chapman=(FOTO)= DETROIT, EUA, 3 mai (AFP) - Diante dos continuados aumentos dos preços dos combustíveis e da enorme dependência do petróleo estrangeiro, o etanol surge como uma solução, ainda que polêmica, para o crescente problema energético dos Estados Unidos.

Os políticos e os fabricantes de automóveis sustentam que a utilização deste biocombustível, produzido no país à base de milho, permitiria reduzir a demanda de gasolina. Desta forma, garantem, o preço do petróleo cairia, a qualidade do ar melhoraria e os agricultores americanos seriam beneficiados.

No entanto, os críticos do etanol acreditam que existem alternativas muito mais eficazes a este biocombustível que exige enormes gastos com produção.

"Desejo que o etanol seja tudo o que dizem que é, mas é terrível que tenha sido tomado e proposto como uma solução para nossos problemas de combustível", afirma David Pimentel, professor de ciências ecológicas e agricultura da Universidade Cornell.

Este biocombustível não só precisa de 30% mais de energia para ser produzido, bem como os pesticidas e fertilizantes usados nas plantações contaminam a água e geram outros problemas ambientais, destaca.

A Coalizão Nacional de Veículos a Etanol (National Ethanol Vehicle Coalition), por sua vez, alega que a produção deste combustível gasta menos energia que há 20 anos, e que continuará melhorando.

Existem dois tipos de etanol combustível no país: o E10, com 10% de etanol, que pode ser usado em qualquer veículo e já é utilizado em 40% de todas as gasolinas comercializadas nos Estados Unidos; e o E85 (semelhante ao álcool brasileiro, que é produzido a partir da cana-de-açúcar), com 85% de etanol, que requer um motor especial.

Embora os fabricantes estejam dispostos a fazer a mudança, a questão é se os consumidores aceitarão usar veículos que requerem adotar combustível e motor diferentes.

Segundo um estudo da companhia J.D. Power and Associates, apenas 7,23% dos compradores de carros novos consideram que o "impacto ambiental" é um fator-chave na hora da compra.

"Acho que o público aceitará, mas só quando os fatos vierem à tona. Perceberão que isto não resolverá nossos problemas de energia", explica Pimentel.

Existem também outros desafios. Para começar, o etanol tem um rendimento inferior ao do combustível tradicional.

O site especializado www.fueleconomy.gov mostra, por exemplo, que um Chevy Monte Carlo modelo 2006 percorre 40 km com um galão (3,78 litros) de gasolina e apenas 31 km com um galão de E85.

Outro inconveniente é a falta de infra-estrutura. Existem 180 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, mas apenas 600 disponibilizam etanol, segundo a Coalizão Nacional de Veículos a Etanol. A maioria destes, por sua vez, fica na região central do país.

No entanto, espera-se que a quantidade de postos de etanol chegue a 2.000 este ano, graças às facilidades tributárias para que sejam instaladas bombas de E85.

O presidente americano, George W. Bush, destacou que quer aumentar a produção de etanol para substituir em 30% a demanda por gasolina em 2030 e para reduzir a crescente dependência do país de petróleo estrangeiro.

Em janeiro, dois senadores do centro dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei para que os fabricantes de automóveis aumentem anualmente a quantidade de veículos movidos a E85 até abarcar toda a produção.

A General Motors Corp., havia chegado tarde ao mercado da tecnologia híbrida (uso de combustível fóssil e etanol), lançou uma campanha pró-etanol. Enquanto isso, o líder dos híbridos, Toyota Motors, anunciou recentemente que estudará a fabricação de veículos compatíveis com este biocombustível.

A Chrysler Corp., por sua vez, pretende somar neste outono boreal três novos veículos à sua linha de automóveis movidos a E85: o Jeep Grand Cherokee, o Commander SUVs e a caminhonete Dodge Dakota.

A fabricante americana espera vender 250.000 automóveis movidos a E85 em 2007 e 500.000 em 2008.

Por outro lado, a Ford Motor Co. planeja vender até o fim deste ano dois milhões de veículos movidos a E85.

No total, existem cerca de seis milhões de veículos compatíveis com combustível etanol circulando nas ruas e estradas americanas.

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