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24/05/2006 - 14h02

Bin Laden denuncia a justiça e os serviços de informação americanos

Por Habib Trabelsi PARIS, 24 mai (AFP) - O chefe da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, pretendia através de sua mensagem denunciar a justiça dos Estados Unidos e provar a impotência de seus sistemas de informação, sustentando que Zacarias Moussaoui e os detidos de Guantanamo não tinham nenhuma ligação com o 11 de setembro, estimaram os analistas. Numa "carta ao povo americano", divulgada na noite de terça para quarta-feira num site islamita, Bin Laden nega que Zacarias Moussaoui e "todos os detidos em Guantanamo, com exceção de dois irmãos", que ele não nomeou, tivessem uma ligação com os atentados do 11 de setembro, pelo qual assume "inteira responsabilidade".

"O mais estranho é que um bom número deles não tem vínculos com a Al-Qaeda. Mais estranho ainda: alguns deles se opõem à orientação da Al-Qaeda pedindo para combater a América", assegurou Bin Laden.

Os analistas da CIA confirmaram que a voz da fita era a de Bin Laden.

"Com esta mensagem excepcional, Bin Laden quer provar que os serviços de informação americanos são impotentes e que a justiça american é iníqua", estimou Saad al-Faqih, um opositor saudita exilado em Londres e bastante bem informado sobre os grupos islamistas.

"Bin Laden tenta menos defender Moussaoui do que desmoralizar a administração americana, mostrando que ela compensa a ineficácia de seus serviços de informação com o recurso à força e à injustiça: segundo ele, das centenas de detidos em Guantanamo, apenas dois têm um vínculo com os atentados do 11 de setembro", acrescentou ele.

Zacarias Moussaoui, um imigrante francês que havia admitido sua cumplicidade com os autores do atentado do 11 de setembro no dia 22 de abril de 2005, foi condenado no dia 4 de maio à prisão perpétua. No dia 8 de maio, ele tentou retirar esse depoimento, mas seu pedido foi rejeitado. "A mensagem de Bin Laden põe em xeque a justiça americana e a administração, que se debate em sua obsessão antiterrorista", estima Mohammed Messari, um outro opositor saudita exilado em Londres.

"Esta é a primeira vez que Bin Laden afirma sem subterfúgios ser o comandante dos atentados do 11 de setembro", constatou Abdel Bari Atwan, redator chefe do jornal árabe londrino Al-Quds al-Arabi.

"Mas o principal objetivo de Bin Laden era demonstrar o fracasso dos serviços de informação americanos, que, apesar de já terem detido Moussaoui, não puderam impedir os atentados que ocorreram duas semanas depois", estimou Atwan, um dos raros jornalistas árabes que já entrevistou Bin Laden.

Para Jamal Ismaïl, o diretor do "Al-Jousour al-Dawliya" ("as pontes internacionais", uma instituição midiática baseada em Islamabad), "Bin Laden desmente as alegações da administração americana, segundo as quais ela quer difundir a justiça no mundo, enquanto incrimina inocentes".

"A mensagem de Bin Laden também inclui um aviso aos americanos, aos quais ele parece dizer: "se vocês não se livrarem desta administração que viola os direitos humanos, vocês terão de assumir as conseqüências disso", estima Ismail, um ex-jornalista da TV Al-Jazeera que entrevistou Bin Laden diversas vezes.

Em sua mensagem, Bin Laden ameaçou implicitamente o povo americano.

"Talvez um dia, os americanos amantes da justiça e da equidade chegarão (ao poder). Esta é a via da paz e da segurança, se vocês quiserem", concluiu, numa ameaça velada aos americanos.

Um outro analista, também baseado em Islamabad e que pediu anonimato, estimou que "se não houvesse a questão Moussaoui, Bin Laden não teria falado".

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