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31/05/2006 - 14h16

O homem de Flores era capaz de fabricar utensílios complexos

PARIS, 31 mai (AFP) - O homem de Flores, o minúsculo primo do homem moderno, descoberto em 2003 na ilha indonésia de mesmo nome, era capaz de fabricar utensílios complexos, segundo um estudo que será publicado na quinta-feira.

O Homo Floresiensis, que não passava de um metro de altura e cujo crânio tinha o tamanho de uma toranja, desapareceu há 12.000 anos. Este "hobbit", como foi apelidado em homenagem ao personagem de Tolkien, aparentemente foi contemporâneo do homem moderno.

Perto dos vestígios de pelo menos nove indivíduos descobertos há tres anos numa caverna de Flores - que datam de 18.000 anos --, os cientistas encontraram utensílios de pedra complexos, capazes de despedaçar um animal, incluindo os elefantes diminutos que outrora viviam nessa região.

Os autores desta descoberta deduziram que o homem de Flores representava uma espécie separada, mas que também descendia do Homo Erectus, o ancestral do homem contemporâneo. Sua afirmação desencadeou uma dessas polêmicas habituais no mundo da antropologia. Esta descoberta revelaria que nossa espécie, o Homo Sapiens, compartilhou até há pouco tempo a superfície do planeta com outros hominídeos. Desta forma, coloca-se a questão de um possível cruzamento entre as duas espécies.

No mês passado, Robert Martin e outros especialistas em primatas do célebre museu Field de Chicago derrubaram essa teoria, afirmando que os vestígios encontrados eram de humanos microcéfalos.

Para eles, estas criaturas eram incapazes de fabricar utensílios de pedra. Os objetos teriam sido abandonados milhares de anos depois por representantes do Homo Sapiens.

Em artigo já publicado na revista Nature, uma equipe dirigida por Adam Brumm, da Universidade Nacional da Austrália, ataca a tese de Martin, destacando similitudes entre os utensílios encontrados na caverna dos "hobbits" e os de outra gruta situada a 50 km de distância.

Os 507 utensílios examinados são muito parecidos na forma, no ângulo de ataque e nas pedras usadas. Estes objetos aparentemente têm mais de 800 mil anos, ou seja, são anteriores ao aparecimento do Homo Sapiens, entre 150.000 e 200.000 anos.

Os utensílios de pedra encontrados nas duas grutas mostram pelo menos "uma continuidade numa tecnologia proveniente da mesma raça de hominídeos", sustentam os autores deste estudo.

"As afirmações de que o Homo Floresiensis não tinha a capacidade cerebral para fabricar utensílios de pedra se baseiam em idéias preconcebidas, em vez de dados concretos", acrescentou.

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