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01/06/2006 - 18h21

Sultão de Yogyakarta pede ao povo para aceitar seu destino

=(FOTO)= YOGYAKARTA (Indonésia), 1 jun (AFP) - Seis dias depois do terremoto em Java, o sultão e governador de Yogyakarta, Hamengkubuwono X, pediu calma e aconselhou seu povo a aceitar o desastre natural como parte do destino. Depois do terremoto que matou mais de 6.200 pessoas e diante da ameaça constante do vulcão Merapi, Hamengkubuwono X (literalmente "aquele que carrega o universo sobre os joelhos") tentou sublinhar os fundamentos do que ele chama de a "filosofia javanesa".

"Todos os eventos naturais devem ser percebidos como parte do destino", declarou durante uma entrevista à AFP no palácio do governo, em Yogyakarta.

"Tenho a esperança de que cada um sinta que somos apenas humanos e, através deste evento, se sinta mais próximo de Deus para um futuro melhor".

O sultão, que concentra o poder político e zela pelos costumes na cidade, está à frente de uma das duas casas reais da província de Java Central, em virtude de um pacto assinado em 1755.

Seu pai, Hamengkubuwono IX, teve um papel importante na luta pela independência contra os holandeses, antes de se tornar o vice do presidente Suharto.

Em 1998, um colégio de notáveis escolheu Hamengkubuwono X para suceder a seu pai entre os 21 filhos e filhas. Ele foi nomeado governador em 2003, sob a presidência de Megawati Sukarnoputri.

Respeitado pelo povo javanês, admitiu dificuldades na gestão da crise, defendendo o trabalho das autoridades políticas.

"Há problemas na distribuição da ajuda. A prioridade (terça-feira) era enviar cinco helicópteros para lugares que não são acessíveis por terra".

"Temos um grande problema porque as pessoas cujas casas foram destruídas não querem partir. Preferem ficar com os vizinhos numa barraca ou num abrigo", explicou o sultão, de 60 anos.

Daí a grande necessidade de ajuda e a impossibilidade de reunir as pessoas em estruturas coletivas mais vastas. "Temos de ir de uma casa à outra, é muito complicado".

O sultão considerou exageradas as críticas da imprensa à lentidão da ajuda.

"As críticas são normais. Se não damos comida um dia, todos sentem. Mas não podíamos prever este terremoto".

"Atualmente, acredito que (a ajuda) é relativamente eficaz. Os remédios chegaram no domingo (a Yogyakarta), o material e os alimentos, na segunda-feira, o que pode ser considerado rápido".

Ele elogiou a ajuda espontânea, que permitiu que várias vítimas do terremoto recebessem assitência no primeiro dia.

"É normal que a ajuda privada seja mais eficaz do que a do Estado porque ela está sempre disponível. Mas lamento não poder agradecer a todos aqueles que ajudaram".

O sultão reconheceu que os próximos meses serão complicados. A reconstrução das casas é a prioridade do poder local, mas a ajuda às vítimas é algo complicado nas regiões rurais mais pobres, disse ele.

"Quando uma vítima pede ajuda, seu vizinho que não foi vítima do terremoto, também a quer", explicou o sultão. "Tenho de dar a todos porque quero evitar o ciúme social".

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