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04/06/2006 - 14h52

Grito de alarme das Nações Unidas em favor dos desertos ameaçados

LONDRES, 5 jun (AFP) - Os desertos estão ameaçados "como nunca" embora possam representar um tesouro de recursos para o planeta, para a produção de energia solar ou plantas medicinais, advertiu a ONU em relatório que será divulgado nesta segunda-feira, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente.

"Longe de serem terras áridas, os desertos aparecem dinâmicos ao mesmo tempo, no plano biológico, econômico e cultural, sofrendo as pressões do mundo moderno", explicou para esta ocasião Shafqat Kakakhel, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

"Os desertos possuem um verdadeiro potencial econômico e os meios de subsistência, dentro da idéia de que o meio ambiente não é um luxo, mas um elemento importante para lutar contra a pobreza e atingir os objetivos de desenvolvimento fixados pela comunidade internacional", acrescentou.

Pelo menos um quarto das terras emersas do planeta - 33,7 milhões de quilômetros quadrados - são consideradas desérticas e 500 milhões de pessoas as habitam, segundo o relatório do PNUMA.

Mas suas paisagens únicas, suas culturas, suas flora e fauna particulares arriscam-se a desaparecer, advertiu, durante uma entrevista à imprensa, em Londres, um dos autores do relatório, Andrew Warren, professor de geografia no University College London.

"O que me preocupa é que estão ameaçados como jamais pela mudança climática, a exploração desenfreada de lençóis freáticos, a salinização e o desaparecimento da fauna", disse.

A temperatura das regiões desérticas aumentou entre 0,5 e 2 graus Celsius entre 1976 e 2000, muito mais que a alta de 0,45° registrada em média no restante do planeta. As temperaturas nos desertos poderão aumentar de 5 a 7 graus até 2071-2100.

A seca dos rios, a utilização às vezes pouco eficazes da água para irrigar e o crescimento demográfico vão acentuar a escassez de água. A Arábia Saudita, a Síria, o Paquistão, o oeste da China, o Chade, o Iraque, o Níger serão particularmente afetados, prevê o relatório.

A construção de estradas, a poluição, o turismo, a caça ameaçam a fauna e várias espécias do deserto estão em via de desaparecimento ou em rápida diminuição.

Sua utilização às vezes como campo de treinamento militar, prisão, ou campo de refugiados afeta igualmente o deserto.

"Estes desertos são ecossistemas dinâmicos e únicos que, se tratados adequadamente, podem fornecer respostas a numerosos desafios os quais enfrentamos hoje, seja para o fornecimento de energia, alimentação ou medicina", destacou Zaveh Zahedi, vice-diretor do centro de vigilância da defesa do meio ambiente do PNUMA, com sede em Cambridge.

Os desertos podem tornar-se centrais elétricas não poluentes do século XXI, utilizando recursos do sol e do vento.

Um deserto do tamanho do Saara poderia capturar energia solar suficiente para responder à necessidade de eletricidade do mundo inteiro, segundo Zahedi.

"Animais e plantas selvagens constituem novas fontes para a pesquisa farmacêutica, produtos industriais e agricultura", diz O PNUMA. O nipa, uma erva colhida por povos Cocopas no deserto do nordeste do México possui propriedades semelhantes ao trigo. "Esta espécie vegetal poderia trazer uma contribuição importante à segurança alimentar e tornar-se, assim, o maior presente oferecido pelo deserto ao restante do mundo", indica o PNUMA.

Plantas descobertas no deserto de Neguev em Israel podem ajudar a lutar contra o câncer e a malária. Outras encontradas no Marrocos, no Arizona e na Argentina, têm também propriedades medicinais.

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