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16/06/2006 - 13h23

Anticoncepcionais: a nova guerra de George W. Bush?

Por Isabel Malsang WASHINGTON, 16 Jun (AFP) - Associações feministas e um setor da esquerda americana denunciam a "guerra contra a contracepção" da administração George W. Bush e de grupos religiosos conservadores, que pensam já ter ganho a batalha contra o direito ao aborto.

Embora nunca tenha sido declarada oficialmente, esta "guerra" assumiu diferentes formas: do bloqueio à venda livre nas farmácias da 'pílula do dia seguinte' à promoção da abstinência como único método anticoncepcional, passando pela tentativa de agregar à lei cláusulas de consciência que permitam aos farmacêuticos se negar a vender anticoncepcionais.

Nenhuma associação conservadora tomou abertamente uma posição oficial contra os anticoncepcionais, com o risco de despertar a ira da maioria das mulheres americanas que toma a pílula.

"Não acho que haja uma guerra contra a anticoncepção", disse à AFP a porta-voz da associação conservadora "Focus on the Family", Carrie Gordon-Earll.

No entanto, as feministas respondem que os fatos apontam para o contrário, ao Bush indicar uma militante contra o aborto para a chefia da entidade social encarregada da contracepção para mulheres de baixa renda.

Além disso, mencionam o repúdio inexplicado da agência federal que regula alimentos e medicamentos no país (FDA) de autorizar a venda livre da 'pílula do dia seguinte', apesar das recomendações de seu comitê científico e das campanhas para impedir que as seguradoras assumam os custos da pílula.

Destacam, inclusive, que sob o apelo para lutar contra o aborto ou gravidez na adolescência, as campanhas oficiais dão destaque aos "perigos" da contracepção.

Por exemplo, o site de uma das principais associações conservadoras, "Concerned Women for America", qualifica o DIU (dispositivo intra-uterino) de "contraceptivo abortivo", embora não tenha sido provado por médicos.

Os estados de Arkansas (sudeste), Geórgia (sudeste), Mississipi (sudeste) e Dakota do Sul (centro-norte) votaram leis que permitem aos farmacêuticos se negarem a vender a pílula, segundo o instituto Guttmacher, especialista em pesquisa sobre a saúde reprodutiva.

"Aqui não é a 'eleição' (ao direito do aborto) que é atacada, é a contracepção", resumiu na terça-feira, em Washington, Hillary Clinton, senadora por Nova York e possível candidata democrata à Casa Branca, à Associação de Planejamento Familiar e Saúde Reprodutiva.

Depois de terem combatido o aborto, "os militantes do 'direito à vida' deram um passo adicional" contra os contraceptivos, declarou à AFP Cristina Page, da associação feminista Naral.

"Ganharam tão amplamente a guerra contra o aborto, que já não esperam que um juiz da Suprema Corte de 86 anos se retire", acrescentou.

Se o presidente Bush nomear um terceiro juiz conservador (de um total de nove juízes vitalícios), o novo equilíbrio da Corte poderia levar a um questionamento do direito ao aborto, que data de 1973.

No entanto, esta "guerra" parece ter dado alguns frutos.

"Várias vezes me surpreendi ao encontrar legisladores no Congresso que apóiam firmemente os anticoncepcionais, mas que acreditam que a 'pílula do dia seguinte' equivale a um aborto", declarou à AFP Lara Foley, professora de Sociologia da Universidade de Tulsa (Oklahoma, sul).

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