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17/06/2006 - 18h29

Especialistas debatem experiências de morte iminente

MARSELHA, França, 17 jun (AFP) - À beira da morte, muitos pacientes em coma profundo contam, depois de superar este estado, que compreendiam o que se dizia em torno, lendo, às vezes, o pensamento das pessoas próximas - experiências estas que 1.500 especialistas e pacientes debatem neste sábado num colóquio sobre morte iminente em Martigues (sul da França).

O objetivo dos cientistas é fazer um balanço dos conhecimentos sobre este fenômeno, da maneira mais científica possível.

Os múltiplos depoimentos sobre essa situação, vivida por pacientes em coma, começaram a ser estudados pelos médicos há cerca de 30 anos, mas ainda são vistos com estranheza.

Médico anestesista reanimador, Jean-Jacques Charbonnier, que participa do encontro, recolheu pessoalmente numerosas experiências desse tipo vividas por seus pacientes.

"São pessoas que flutuam sobre o próprio corpo, entendem o que os médicos dizem delas, contam terem entrado num túnel escuro no qual viam uma luz intensa ao final."

"Isto parece um pouco extravagante, conta Charbonnier, mas tive várias vezes uma espécie de ligação telepática com pessoas em coma, uma idéia que me obcecava como no caso de um doente de câncer em fase terminal que respirava por aparelhos."

"Era como se ele se dirigisse a mim! Eu ouvi um dia: deve olhar na minha carteira", prosseguiu. O médico descobriu, finalmente, uma carta manuscrita do paciente insistindo para "desconectá-lo" se ele estivesse um dia numa tal situação.

As pessoas saem deste estado, com freqüência, tornando-se "mais altruistas e desprendidas dos valores materiais", e a experiência é na maioria das vezes (mais de 90% dos depoimentos) vivida positivamente.

"É preciso não abandonar os pacientes em coma profundo ou dizer como alguns colegas que são como legumes", vivendo em estado vegetativo, insiste Charbonnier.

"É preciso continuar a vê-los, a falar com eles", disse, citando o caso de um jovem acidentado em estado crítico.

"Contra todas as expectativas, ele melhorou, passou a se mexer, saiu do coma. Assim que voltou a si, disse à mãe: você fez bem, ouvi tudo o que disse", conta o médico.

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