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21/07/2006 - 10h49

Israel multiplica bombardeios contra o sul do Líbano

Por Marius Schattner=(FOTO)= JERUSALÉM, 21 jul (AFP) - O Exército israelense voltou a lançar ataques aéreos contra o Hezbollah na fronteira com o Líbano, enfrentando uma forte resistência dos combatentes xiitas, entrincheirados num verdadeiro forte.

Em função disso, o Tsahal (exército israelense) convocou nesta sexta-feira milhares de reservistas para reforçar suas tropas na fronteira norte de Israel. O Exército já havia mobilizado na quarta-feira passada mais de 6.000 homens.

A meta é "limpar a zona de fronteira do lado libanês com operações pontuais para destruir a infra-estrutura do Hezbollah para que nunca mais os soldados sejam capturados na fronteira", declarou à AFP um porta-voz militar, o capitão Yaacov Dalal.

Diante da intensificação das operações israelenses, o Hezbollah rejeitou o plano do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que propõe um cessar-fogo imediato das hostilidades e a libertação de dois soldados israelenses, segundo declarou nesta sexta-feira à AFP Hussein Hajj Hassan, deputado da formação xiita libanesa.

"É normal que rejeitemos este plano", afirmou o deputado. "A única coisa que aceitamos é um cessar-fogo sem condições seguido de negociações indiretas sobre a troca de prisioneiros".

O governo israelense, por sua vez, voltou a insistir que só encerrará sua ofensiva no Líbano quando o Hezbollah entregar suas armas, conforme declarou o porta-voz do ministério israelense das Relações Exteriores, Mark Regev.

O Exército israelense não eliminou a priori a possibilidade de realizar uma operação terrestre de grande envergadura como parte da guerra de Israel contra a milícia xiita, mas destacou que, neste caso, o Exército se "concentraria em operações precisas".

"Estas operações são indispensáveis porque a aviação não tem condições de localizar e destruir os bunkers subterrâneos usados pelo Hezbollah, que armou toda uma rede fortificada", acrescentou o porta-voz.

Na véspera, quatro soldados israelenses, de um comando de elite, foram mortos em combate com militantes do Hezbollah xiita em território libanês, perto da fronteira com Israel, ao norte da cidade israelense de Avivim.

Os combates começaram quando uma unidade de elite do Exército israelense a procura de esconderijos de armas do Hezbollah caiu numa emboscada.

"Este tipo de operação é muito difícil porque o Hezbollah, que se tornou um verdadeiro exército, treinou cuidadosamente seus homens e se preparou durante muito tempo para este tipo de confronto", explicou o capitão Dalal.

"O Hezbollah sofreu um golpe, mas não temos ilusões, ele ainda é perfeitamente capaz de lançar foguetes", disse o general Ido Nehushtan, chefe do departamento de planejamento do exército.

Segundo ele, o movimento xiita libanês ainda tem bunkers ao longo da fronteira "com armas prontas para serem utilizadas".

O general disse ainda que os dois soldados israelenses capturados pelo Hezbollah em 12 de julho na fronteira israelense-libanesa estão vivos.

"Achamos que estão vivos e consideramos o governo libanês responsável por sua segurança", afirmou.

Os responsáveis militares israelenses, reconhecem que as operações na fronteira são incapazes de deter os disparos de foguetes que têm geralmente um alcance de várias dezenas de quilômetros e são posicionados mais distantes dentro do território libanês. Mas estes ataques aéreos fazem parte da guerra global contra o Hezbollah que, segundo eles, já sofreu mais perdas do que reconhece e está enfraquecido.

Segundo o general Alon Friedman, que está posicionado na região norte de Israel, o Exército opera para "destruir a infra-estrutura do Hezbollah, sobretudo os bunkers subterrâneos e os estoques de foguetes difíceis de localizar e neutralizar pela aviação".

Dois ministros se manifestaram contra uma operação terrestre de grande envergadura. "O problema em uma guerra não é começá-la, é terminá-la", declarou o ministro da Habitação Meïr Sheetrit à rádio pública, destacando a importância cada vez maior da ação diplomática.

O ministro da Cultura Ofir Pines disse que o gabinete israelense não foi consultado sobre nenhuma decisão deste gênero.

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