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23/07/2006 - 14h20

A Síria morde e assopra antes da viagem de Rice ao Oriente Médio

DAMASCO, 23 jul (AFP) - A Síria aplicou a estratégia do morde-e-assopra antes da visita à região da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, declarando-se disposta a abrir um diálogo com os Estados Unidos e ameaçando depois "entrar no conflito" em caso de invasão terrestre israelense no Líbano.

Em declarações à rede Sky News, o vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Faisal Mukdad, afirmou na noite de sábado que Damasco estava pronto para abrir "um diálogo com os Estados Unidos" para resolver a crise no Líbano.

No entanto, o embaixador americano na ONU, John Bolton, rejeitou a oferta neste domingo afirmando que "a Síria não precisa de diálogo para saber o que ela tem que fazer", ou seja, "pressionar o Hezbollah para que libere os dois soldados israelenses capturados e acabar com os disparos de foguetes contra inocentes".

A Síria lançou neste domingo um apelo ao cessar-fogo e à negociação para resolver a crise.

"A Síria pede à comunidade internacional e a todos os países envolvidos para decretar um cessar-fogo imediato no Líbano", declarou um representante sírio à AFP.

"É preciso pressionar Israel, pois os Estados Unidos rejeitam um cessar-fogo", acrescentou a fonte, que não quis ser identificada.

"Uma ação deveria ser empreendida em seguida para alcançar uma resolução política" da crise entre Israel e Líbano, finalizou.

Entretanto, este apelo ao diálogo foi precedido por declarações bélicas do ministro sírio da Informação, que advertiu Israel contra qualquer tentativa de invasão terrestre do Líbano.

"A Síria entrará no conflito se Israel invadir o Líbano por via terrestre", avisou Moshen Bilal numa entrevista publicada neste domingo pelo jornal espanhol ABC.

O ministro sírio justificou sua advertência na necessidade imperativa de defender a Síria, destacando o risco de uma ação militar israelense contra seu país.

"Se Israel entrar no Líbano por via terrestre, poderá chegar a até 20 km de Damasco. O que vamos fazer? ficar de braços cruzados?", indagou Bilal.

Os exércitos israelense e sírio não se enfrentaram desde 1982, durante a invasão israelense do Líbano, quando os militares sírios tentaram frear a ofensiva do Tsahal, o exército hebreu.

Segundo todos os especialistas, Israel dispõe de uma superioridade militar incontestável em relação à Síria.

Apesar destas declarações bélicas, especialistas ocidentais em Damasco se declararam cépticos sobre uma intervenção síria.

"Tudo isso faz parte de uma guerra das palavras entre Síria e Israel", considerou um diplomata ocidental em Damasco.

"Não há qualquer sinal indicando um eventual confronto direto: não há mobilização nas fronteiras, não há convocações de reservistas nem de alerta geral dentro do exército", acrescentou o diplomata, que não quis ser identificado.

O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, garantiu neste domingo que Israel "não tem qualquer intenção de iniciar uma guerra contra a Síria".

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