UOL Notícias Notícias
 

28/07/2006 - 10h42

Combate do Hezbollah contra Israel atiça tensões entre sunitas e xiitas

Por Sammy Ketz=(INFOGRAFIA)= BEIRUTE, 28 jul (AFP) - O atual combate do Hezbollah contra Israel atiça as críticas entre sunitas e xiitas libaneses, que acusam uns aos outros de serem "aventureiros" ou "covardes", colocando em risco a frágil coesão nacional.

"Eles já não lutam pela libertação do país, mas pelos persas, que elegeram nosso país para seus ajustes de contas com os Estados Unidos e Israel", afirma Imad, um decorador de 52 anos que vive no reduto sunita de Aisha Bakkar, em Beirute.

Os habitantes desse bairro, que há seis anos comemoraram o final da ocupação israelense da região do sul do Líbano ante os ataques do Hezbollah, deixaram de admirar Hassan Nasrallah, líder do Partido de Deus, xiita.

"Já não se trata de uma resistência nacional, e sim de uma resistência de uma só cor. É uma organização de xiitas que atua em defesa do interesse exclusivo desta comunidade", acrescentou este pai de dois filhos que voltou há pouco tempo ao país depois de ter vivido mais de 20 anos em países do Golfo.

Estas afirmações deixam Sana indignada. Esta professora xiita, de 24 anos, escapou dos bombardeios contra o subúrbio sul de Beirute. "Acusar Nasrallah de defender os xiitas é um insulto. As Fazendas de Shebaa são sunitas e a troca de prisioneiros deve dar a liberdade a um druso condenado por Israel", disse.

Sana se referia à região em disputa das Fazendas de Shebaa, tomada da Síria por Israel em 1967 e reivindicada pelo Líbano com a autorização verbal das autoridades sírias.

A rivalidade de 1.400 anos entre as ramificações do Islã ficou mais acirrada com este conflito. No começo das hostilidades, a Arábia Saudita, pilar dos sunitas, apoiada por Egito e Jordânia, havia considerado o Hezbollah como um grupo "aventureiro".

Na cidade sunita de Trípoli, o advogado Nabil Murad acusa o Hezbollah de ter provocado a guerra. "É responsável pela destruição do Líbano, pois quer manter aberta a frente com Israel e quer atiçar o fogo", afirmou.

"É preciso fechar essa frente como fez Damasco com Golã ocupada, onde não há incidentes há mais de 30 anos", disse Murad.

Traumatizados pelo Iraque, onde depois de 80 anos os sunitas tiveram que deixar o poder para os chiitas após a invasão americana de março de 2003, muitos sunitas têm medo de que a mesma situação se repita no Líbano.

"Se eles vencerem nos imporão sua lei, e se perderem nos colocarão a culpa. Seremos seu próximo alvo", teme Hayat, de 63 anos, uma moradora de Aisha Bakkar.

Hayat, partidária do ex-primeiro-ministro assassinado Rafic Hariri, está convencida de que o Hezbollah criou esta situação para provocar a queda do governo de Fuad Siniora.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h00

    -0,70
    3,156
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h05

    1,02
    68.670,13
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host