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14/08/2006 - 12h07

Esgotados, os libaneses deixam os refúgios e preparam a volta para a casa

Por Jihad Siqlawi=(FOTOS)= TIRO, Líbano, 14 Ago (AFP) - Com a roupa suja e o rosto marcado pelo cansaço, centenas de desabrigados da região de Tiro saíram de seus refúgios, caminhando sem rumo pelas ruas da cidade nesta segunda-feira, uma hora depois do fim dos combates, com esperança de retornar aos seus povoados do sul do Líbano.

Dezenas de veículos seguiam para Tiro, a cidade portuária devastada pelos bombardeios e isolada do resto do Líbano há uma semana, enquanto equipes municipais, apoiadas por militares do corpo de engenheiros, começavam a reparar a estrada que leva à região de Kasmiyé, mais ao norte, assim como a que vai para os povoados de Qana e Naqura, no extremo sul.

"Máquinas trabalham para reparar as imensas crateras provocadas pelas bombas israelenses, mas os habitantes se negam a esperar o fim dos trabalhos. Explicamos que é perigoso, que há obuses que ainda podem explodir, mas não querem saber de nada", afirmou o prefeito de Tiro, Abdel Mohsen Al-Husseini.

Houda, de 23 anos, chorava enquanto carregava pela mão um de seus irmãos. "Estamos com os nervos à flor da pele. Agora que a tensão diminui é que nos damos conta", disse ela, caminhando por uma rua comercial em que as vitrines estavam todas destroçadas.

Seu pai, Mohamed Benjak, pedia prudência. "Não é preciso se precipitar. Os militares israelenses são traiçoeiros e seus chefes estão com raiva e sedentos de sangue porque perderam a guerra. Vou esperar que um comboio humanitário da Cruz Vermelha libanesa se dirija ao nosso povoado de Ramadiyé para segui-lo, é mais prudente", afirmou.

Jihane, de 34 anos, coberta com um xador da cabeça aos pés, afirmava ao lado de seus três filhos. "Não acredito nos israelenses, são mentirosos. Espero as instruções do xeque Nasralá (o líder do Hezbollah). Voltaremos ao nosso povoado quando ele nos avisar", afirmou.

Roula Beydoun, acompanhada por diversas crianças, concordou. "Não tenho mais casa. Nosso domicílio em Bin Jbeil foi destruído, mas quando Nasralá disser, voltaremos, ainda que seja para colocar uma tenda sobre os escombros", explicou.

Em Saida, capital do sul do Líbano, que não sofreu bombardeios, e que recebeu 100.000 refugiados de toda a região, o regresso é mais acelerado.

Às 05H00 GMT, no momento em que entrava em vigência o "fim das hostilidades", Imad Ibrahim, engenheiro, já estava ao volante de seu automóvel.

"Vou sozinho explorar e ver se nossa casa ainda está de pé. Se for tudo bem e se o cessar-fogo for mantido, voltarei para buscar minha família".

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