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17/08/2006 - 15h33

Louvor e repúdio ao ex-ditador Stroessner no Congresso paraguaio

ASSUNÇÃO, 17 ago (AFP) - A oposição esvaziou o plenário da Câmara de Deputados no Paraguai quando parlamentares partidários do ex-ditador morto, Alfredo Stroessner, quiseram prestar a ele uma homenagem póstuma nesta quinta-feira. "Não se pode prestar homenagem a um desertor da justiça, a um carrasco que causou luto a tantas famílias paraguaias", disse o deputado de oposição Rafael Filizzola ao justificar a retirada em massa da oposição da sala de sessões.

"É uma falta de respeito a um morto. Este senhor, pelo menos, merece paz no seu túmulo", rebateu o deputado do Partido Colorado Arístides da Rosa.

A saída dos opositores da Casa aconteceu imediatamente depois que o deputado do Partido Colorado Lorenzo Ramírez solicitou que todos os parlamentares se levantassem de suas cadeiras para um minuto de silêncio em homenagem ao ex-todo-poderoso do Paraguai, que reinou com mão-de-ferro entre 1954 e 1989. Ramírez afirmou que Stroessner "trouxe 35 anos de estabilidade, paz e progresso ao Paraguai, desestruturado por golpes e guerras civis ao longo de várias décadas".

O deputado da oposição Nelson Chaves, o único que decidiu permanecer na sala, respondeu aos colorados partidário de Stroessner, ao denunciar que o homem ao qual homenageavam "maltratou até centenas de colorados", mesmo aqueles que o ajudaram a chegar ao poder.

A sessão foi suspensa e a agenda semanal da câmara passou para a próxima quinta-feira.

A polêmica se desdobrou na sessão da Câmara de Senadores, ainda que os membros da minoria colorada da ala partidária do general - que ficou no poder por quase 60 anos - só se limitassem a relembrar Stroessner e a desejar-lhe "paz no túmulo", para evitar um quadro semelhante ao da Câmara de Deputados. O senador colorado Martín Chiola disse que o general Stroessner é presidente-honorário de seu partido e que não foi alvo de nenhuma baixa degradante do Exército e que, portanto, merecia ser relembrado por suas obras, "pelos 35 anos de história com suas luzes e sombras". Domingo Laíno, pertencente ao Partido Liberal, disse lamentar o contrário - que o ex-ditador não tenha sido julgado em vida pelos crimes e desaparecimentos de opositores que são atribuídos a ele. O anúncio da morte em Brasília do ""tiranossauro", aos 93 anos, como descreveu, em certo momemto, o célebre escritor paraguaio (já falecido) Augusto Roa Bastos, foi recebida com total indiferença pela população dopaís. No entanto, a praça principal de um bairro de Assunção que levava o nome do ditador até a saída do poder em 1989, amanheceu, nesta quinta, com centenas de velas. O diário ABC, jornal de maior tiragem do país, fechado pelo ditador em 1984 e que só pôde ressurgir através do golpe militar que o derrotou, publicou seis páginas de obituários, em maioria de simpatizantes e ex-colaboradores de Stroessner. Na manchete, o matutino destacou uma grande foto de uma cena de repressão (espancamento) contra quatro conhecidos opositores com o título: "Assim vivíamos..." com Stroessner.

O diário Crônica, partidário do ex-ditador, mostrou, em contrapartida, um página totalmente preta, em sinal de luto.

O proprietário do jornal, Osvaldo Domínguez Dibb, ressaltou, em espaço reservado, que "Stroessner tinha uma vida livre para retornar e receber as honras inerentes ao cargo".

hro/gb/sd

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