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28/08/2006 - 15h21

Olmert anuncia comissão para investigar falhas na guerra no Líbano

Por Charly Wegman=(FOTOS)= JERUSALÉM, 28 ago (AFP) - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou nesta segunda-feira a criação de um grupo encarregado de investigar as falhas da guerra contra o Líbano, no lugar de uma comissão estatal com maiores poderes.

O primeiro-ministro se pronunciou publicamente neste sentido durante uma reunião à tarde, em Haifa, com responsáveis de coletividades locais da região norte, alvo de mais de 4.000 foguetes disparados pelo Hezbollah.

"É preciso permitir que o exército se prepare para a próxima guerra e não paralisá-lo nos próximos anos", explicou ao jornal Maariv um importante membro do gabinete de Olmert favorável a uma comissão governamental e que pediu anonimato.

Segundo o jornal Yediot Aharonot, a comissão governamental nomeada por Olmert terá "amplas prerrogativas".

O jornal precisou que a comissão "deverá submeter recomendações sobre temas cruciais como o mecanismo de tomada de decisões no nível político e o funcionamento do exército durante a guerra".

Nos últimos dias, Olmert fez várias consultas sobre a natureza jurídica e as implicações de uma comissão encarregada de investigar as falhas da campanha contra o Hezbollah.

Uma comissão estatal teria maior credibilidade, pois seus membros seriam nomeados pelo presidente da Corte Suprema, o que garantiria sua independência. Ela poderia citar testemunhas e emitir mandados. Ou seja, atuaria como um tribunal e suas recomendações seriam vinculantes.

Os trabalhos de uma comissão estatal durariam necessariamente vários meses no melhor dos casos, desestabilizando a classe política e militar.

Menos de 57% dos israelenses afirmam preferir uma comissão governamental proposta por Olmert, segundo uma pesquisa revelada no domingo por Mina Tsmach, diretora do Instituto Dahaf.

Segundo esta última, os israelenses querem o estabelecimento das causas do fracasso da guerra no Líbano para tirar lições para um futuro conflito armado.

A popularidade de Olmert e do ministro da Defesa, Amir Peretz, assim como a do chefe do Estado Maior, general Dan Halutz, estão em queda livre.

Os três estão sendo bastante criticados num movimento iniciado na semana passada pelos reservistas, que exigiram suas demissões.

A maioria dos analistas israelenses estima que Olmert pode se recuperar, sobretudo se conseguir mostrar que o deslocamento da FINUL e do exército libanês no sul do Líbano, de acordo com a resolução 1701, é uma garantia de segurança.

A imprensa israelense referiu-se nesta segunda-feira às declarações do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que afirmou que seu partido não teria capturado os dois soldados israelenses no dia 12 de julho se soubesse que isto levaria a uma guerra de tal amplitude.

Nasrallah também afirmou que não haveria um "novo round" entre Israel e sua organização.

O exército israelense continuou nesta segunda-feira seus ataques na Faixa de Gaza, matando quatro homens: dois membros de uma força paramilitar do movimento Hamas e dois membros da guarda do presidente Mahmud Abbas.

A ofensiva do exército israelense na Faixa de Gaza, depois que um de seus soldados foi capturado por combatentes palestinos, entrou nesta segunda-feira em seu terceiro mês.

Ehud Olmert também admitiu nesta segunda-feira, pela primeira vez, um revés na guerra no Líbano, embora tenha considerado o balanço da ofensiva positivo, em seu conjunto, para Israel.

"Não estivemos preparados como deveríamos. Houve erros e até reveses. Mesmo se o resultado geral tenha sido positivo, não devemos esconder as falhas", declarou Olmert.

No mesmo pronunciamento, afirmou que Israel deve se "preparar para a ameaça representada pelo Irã", um país que apóia o Hezbollah libanês.

"Devemos nos preparar para a ameaça representada pelo Irã e seu presidente, que é um inimigo feroz de Israel", declarou Olmert.

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