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07/09/2006 - 16h07

Israel começa a levantar o bloqueio ao Líbano

Por Ron Busso=(FOTOS + INFOGRAFIA)=JERUSALÉM, 7 set (AFP) - Israel começou a levantar nesta quinta-feira seu bloqueio de cerca de dois meses ao Líbano, apesar de se reservar o direito de evitar pela força eventuais fornecimentos de armas à milícia xiita do Hezbollah.

"São 18H00 (12H00 de Brasília), começou o levantamento do bloqueio", afirmou à AFP o porta-voz da chancelaria israelense, Marc Regev.

Israel anunciou na véspera que, a partir desta quinta-feira, começaria a levantar o bloqueio, uma vez recebidas as garantias de que uma força multinacional controlaria os acessos marítimos e aéreos para impedir a entrega de armas à milícia libanesa.

A medida implica, em primeiro lugar, o aeroporto internacional de Beirute. "Em relação ao bloqueio marítimo, ele prosseguirá até a mobilização de uma força naval internacional", explicou Miri Eisin, porta-voz do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert.

Em duas semanas a Alemanha deve assumir o comando dessa força naval encarregada de vigiar o litoral libanês. Enquanto isso, essa tarefa ficará a cargo de navios italianos, franceses e gregos.

Israel aceitou levantar o bloqueio depois de ter obtido garantias de que a ONU controlará os portos e o aeroporto do Líbano para evitar envios de armas ao Hezbollah.

De qualquer maneira se reservou o direito de atacar possíveis envios de armas destinadas ao Hezbollah provenientes da Síria.

"Israel mantém seu direito à autodefesa e velará pela aplicação do embargo (sobre as armas) na fronteira sírio-libanesa", declarou Eisin.

O bloqueio foi imposto em 13 de julho, um dia depois que o Hezbollah capturou dois soldados de Israel, em uma operação que deixou, além disso, oito mortos e que detonou uma ofensiva militar e um conflito que durou 34 dias.

Um primeiro vôo da companhia libanesa Middle East Airlines chegou nesta quinta-feira ao aeroporto internacional de Beirute proveniente de Paris, depois da suspensão do bloqueio. Inúmeras outras companhias aéreas preparam seus vôos para o país.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que terminou um giro pelo Oriente Médio, parabenizou, em Madri, a decisão de Israel e disse que espera que isso sirva para "alcançar um cessar-fogo permanente que se converta num processo de paz mais amplo na região".

Dentro de Israel a decisão recebeu algumas críticas.

O exército e as famílias dos soldados capturados acharam que o país perdeu seu último meio de pressão para obter a libertação dos militares.

O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert havia proclamado publicamente que um dos objetivos da guerra era a libertação sem condições dos dois militares, também estipulada na resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim às hostilidades. No Líbano, onde o bloqueio era considerado um castigo coletivo, a medida facilitará a reconstrução das infra-estruturas destruídas e o reinício dos intercâmbios econômicos e sociais.

A imprensa de Beirute se encontrava dividida nesta quinta-feira. alguns jornais vêem na medida do governo um êxito do governo e outros, ligados ao Hezbollah, acham que é o resultado da submissão do Líbano às demandas israelenses.

Ao mesmo tempo, as unidades israelenses ainda presentes no sul do Líbano se preparam para evacuar três de suas últimas posições. Segundo a rádio pública israelense, o exército terá se retirado totalmente do Líbano antes de 22 de setembro, em função do Ano Novo judeu.

A retirada, no entanto, não diz respeito ao disputado setor das Fazendas de Shebaa, um território de 20 km2 situado nos confins do Líbano, Síria e Israel e que está ocupado pelo exército israelense há 40 anos.

Os israelenses serão substituídas pelo exército libanês, apoiado por uma força de paz da ONU, que se posiciona na região à medida que avança a retirada israelenses, conforme a resolução do Conselho de Segurança.

Annan também estimou que a retirada israelense terá concluído antes do fim de setembro, levando em conta que, então, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) terá 5.000 homens no terreno e deverá chegar a 15.000.

Em um contexto de calma, a diplomacia se mobilizava no Líbano, onde se encontra nesta quinta o chefe da chancelaria russa, Serguei Lavrov, que precede seu colega alemão Frank-Walter Steinmeier, cujo país dirigirá a força naval da ONU.

Lavrov defendeu uma solução global para os problemas do Oriente Médio, enquanto seu país estuda a possibilidade de uma participação na missão da ONU no Líbano Sul. Depois viajará à Síria, Israel e Cisjordânia.

O primeiro-ministro britânico Tony Blair também é esperado em Beirute na próxima segunda-feira, depois de sua passagem por Israel. O ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Angel Moratinos, também visita a região no início da próxima semana.

Da mesma forma, um mediador nomeado por Annan viaja até lá antes do final de semana para negociar a questão da libertação dos soldados israelenses capturados e dos prisioneiros detidos em Israel.

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