UOL Notícias Notícias
 

10/09/2006 - 15h55

Distúrbios na passeata que recordou o suicídio de Allende e o golpe de Pinochet

Por Paulina Abramovich=(FOTOS)= SANTIAGO, 10 set (AFP) - Uma passeata reunindo milhares de manifestantes neste domingo, em Santiago, para recordar o suicídio do presidente socialista Salvador Allende e as milhares de vítimas deixadas pela ditadura do general Augusto Pinochet terminou com violentos distúrbios que deixaram vários feridos e detidos.

A marcha percorreu as principais ruas do centro da capital do Chile e degenerou em distúrbios nas proximidades do Cemitério Geral, onde se encontra o memorial dedicado aos mais de três mil mortos e desaparecidos na ditadura.

Os choques com a polícia deixaram um número indeterminado de feridos e pessoas presas. A convocação das organizações de esquerda visava a uma manifestação pacífica, mas grupos de homens encapuzados, que se identificaram como "anarquistas", iniciaram confrontos com a polícia em vários pontos do trajeto.

Seu principal objetivo foram os muros brancos do palácio presidencial de La Moneda, contra os quais os vândalos jogaram coquetéis "Molotov" e sacos de tinta.

A polícia, que em grande número protegia o lugar, teve de recorrer a jatos de água e gases lacrimogênios para dispersar os manifestantes, vestidos todos de negro e com o rosto encoberto.

Uma filial do Banco do Estado e uma lanchonete "Burger King", próximos ao palácio, também foram atacados e tiveram suas vitrines quebradas.

"Vencer ou morrer!" foi um dos slogans que os anarquistas picharam num dos muros da casa de Governo, onde, em 11 de setembro de 1973 e meio ao levante liderado por Pinochet, Allende se suicidou com um fuzil AK que lhe foi presenteado pelo amigo Fidel Castro.

A passeata para recordar Allende é convocada todos os anos por organizações como o Movimento de Esquerda Revolucionária, a Frente Patriótica Manuel Rodríguez e os partidos Socialista e Comunista.

Formada basicamente por jovens que sequer tinham nascido no momento do golpe militar, a manifestação exibiu cartazes com as fotos de presos e executados durante a ditadura e bandeiras chilenas.

"Venho todos os anos para que o sofrimento de minha família não seja esquecido", explicou Javier Mena, sobrinho de uma das vítimas do regime Pinochet.

Para Ulises Sepúlveda, de 18 anos, a motivação é a mesma: "Quero que a injustiça não seja esquecida", afirmou, mostrando o retrato de René Devia, um jovem de 21 anos executado pela ditadura em setembro de 1973.

Apesar de não ter conhecido o militante, Ulises diz que portar a foto é sua forma de prestar uma homenagem a quem morreu para defender seus ideais.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    1,02
    3,178
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,90
    67.976,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host