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24/09/2006 - 16h20

Novo informe confidencial sobre o Iraque é devastador para a campanha de Bush

Por Sylvie Lantenaume NOVA YORK, 24 set (AFP) - As revelações na imprensa a respeito de um relatório confidencial dos serviços de informação americanos, concluindo que a guerra no Iraque aumentou a ameaça terrorista, podem ter um efeito devastador para o presidente George W. Bush a seis semanas das eleições legislativas.

O New York Times lançou a bomba ao citar fontes anônimas que teriam lido o documento. Segundo uma delas, o relatório concluiu que "a guerra no Iraque agravou o problema geral do terrorismo".

O Washington Post confirmou as informações de seu concorrente, citando uma autoridade não identificada dos serviços secretos segundo a qual "trata-se de uma análise muito franca" da situação, que "enuncia as evidências".

O Post também assinala que o informe descreve o conflito no Iraque como o principal veículo de recrutamento de extremistas islâmicos. Este documento acaba com um pilar fundamental da campanha política do Partido Republicano para as eleições legislativas de 7 de novembro: que a invasão ao Iraque em 2003 e a queda de Saddam Hussein tornaram os Estados Unidos um país mais seguro.

A oposição democrata aproveitou a ocasião para atacar a estratégia da administração Bush, que iniciou uma campanha agressiva para convencer os eleitores de que a missão iraquiana fazia parte de uma "guerra mundial contra o terrorismo", que eles estariam menos seguros se os americanos se retirassem agora do Iraque e, implicitamente, que os republicanos são a melhor garantia de segurança.

Este relatório "deverá representar um duro golpe para as explicações do presidente Bush a respeito da guerra no Iraque", declarou o influente senador democrata de Massachusetts, Edward Kennedy.

"Quantos relatórios independentes serão necessários, quantas mortes, até onde o Iraque deve mergulhar na guerra civil para que a Casa Branca acorde e mude de estratégia no Iraque?", acrescentou Kennedy em um comunicado.

As repercussões políticas para o presidente George W. Bush poderão ser mais graves porque este relatório, intitulado "Tendências do terrorismo mundial: implicações para os Estados Unidos", é o produto de análises de um grupo de 16 agências de informação do governo americano, que não podem ser acusadas de manter ligações com partidos políticos.

O relatório não possui indicação alguma quanto à probabilidade de eventuais novas ações terroristas em solo americano, mas ressalta que a ameaça geral do terrorismo aumentou depois de 11 de setembro de 2001.

Bush afirmou ainda no último 11 de setembro que "o mundo está mais seguro porque Saddam Hussein não está mais no poder", e apresentava a guerra no Iraque como "a principal frente da guerra contra o terrorismo".

De acordo com o Post, as autoridades dos serviços de informação do país concordam em dizer que se os Estados Unidos causaram grandes danos à al-Qaeda e reduziram sua capacidade de planejamento e de dirigir operações maiores, as redes islâmicas se descentralizaram e se estenderam.

Várias novas células terroristas não estão conectadas a uma estrutura central e se desenvolvem independentemente. Elas se comunicam unicamente entre elas e encontram sua inspiração, ideologia e táticas nos cerca de 5.000 sites da internet islâmicos, acrescenta o jornal.

A Casa Branca tentou minimizar o impacto das revelações da imprensa, frisando que elas "não eram representativas de todo o documento".

"Não fazemos comentários sobre documentos confidenciais", declarou à AFP Peter Watkins, um porta-voz da Casa Branca, antes de indicar que o governo Bush não tinha a intenção de mudar sua estratégia contra o terrorismo islâmico.

"Nós sempre dissemos que os terroristas eram determinados. Manter a pressão e continuar a ofensiva é o melhor meio de vencer a guerra contra o terrorismo", acrescentou.

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