UOL Notícias Notícias
 

13/10/2006 - 13h20

General britânico volta atrás na polêmica defesa de retirada rápida do Iraque

LONDRES, 13 out (AFP) - O chefe do exército britânico, general Richard Dannatt, voltou atrás em suas polêmicas declarações defendendo uma retirada rápida das tropas do Iraque por considerar que essa presença "exacerba" os problemas de segurança nesse país, e afirmou que a força militar britânica prosseguirá no terreno até concluir sua missão.

Dannatt, de 55 anos, tentou assim abrandar suas declarações, afirmando que algumas delas foram retiradas de contexto. No entanto, suas palavras, de uma franqueza sem precedentes para um alto oficial militar, foram consideradas por alguns analistas um golpe direto contra o primeiro-ministro britânico Tony Blair e o secretário da Defesa, Des Browne.

"Sou um soldado. Não nos rendemos, não mostramos a bandeira branca. Continuaremos no Iraque até cumprirmos nossa missão. Iremos até o final", afirmou o militar em um comunicado emitido posteriormente às declarações no jornal.

Também declarou à rádio BBC que a presença do exército "ajuda em algumas áreas e prejudicas outras", antes de insistir, como afirma em seu comunicado oficial, que os problemas provocados pela presença do exército britânico no Iraque não "são uma razão para que se retirem".

Em entrevista publicada nesta sexta pelo Daily Mail, o general, que assumiu suas funções há apenas dois meses, manifestou seu desejo de que os soldados britânicos fossem retirados rapidamente do Iraque, pois, segundo ele, a presença das tropas britânicas no país "exacerba os problemas de segurança".

"Não digo que as dificuldades que enfrentamos no mundo sejam provocadas por nossa presença no Iraque, mas não resta dúvida de que nossa presença no Iraque as exacerba", acrescentou.

"Estamos num país muçulmanos e a opinião dos muçulmanos a respeito dos estrangeiros em seu país é muito clara. O estrangeiro é bem-vindo se convidado, mas ninguém nos convidou para vir ao Iraque".

O general também não ocultou suas dúvidas sobre o objetivo inicial da invasão de 2003, assim como a gestão do pós-guerra.

"A intenção inicial era instalar uma democracia liberal, que seria um exemplo para a região. Era a esperança; sensata ou ingênua, a história julgará", acrescentou.

"O planejamento do que aconteceu depois dos primeiros êxitos militares foi insuficiente, fundado mais no otimismo do que num planejamento sério", comentou.

Downing Street, por sua vez, tentou remendar a situação.

"É preciso recordar que estamos no Iraque a pedido expresso de um governo democraticamente eleito para apoiá-lo em função de um mandato da ONU", declarou o porta-voz do primeiro-ministro.

O próprio general Dannatt, em entrevistas posteriores a canais de televisão, negou a idéia de uma divergência com o governo, afirmando que não permitiria que "nem uma folha de papel, por mais fina que seja, fosse colocada entre ele, o ministro da Defesa e o primeiro-ministro".

Mais da metade dos britânicos deseja uma retirada rápida de seus 7.000 soldados do Iraque e 57% acreditam que a intervenção nesse país foi um erro, segundo recentes pesquisas.

A oposição aproveitou para fazer suas as declarações do general Dannatt.

"Quando estive no Iraque, os soldados me diziam a mesma coisa", comentou o porta-voz do Partido Conservador para assuntos militares, Liam Fox.

Para Menzies Campbell, líder dos liberais-democratas, que sempre se opuseram à guerra no Iraque, "quando o responsável encarregado de aplicar a política do governo assume uma posição diametralmente oposta ao primeiro-ministro, o governo tem a obrigação absoluta de escutá-lo".

Os opositores à guerra saudaram as opiniões do general Dannatt.

"É formidável. Estou feliz que, por fim, alguém falou algo", elogiou Rose Gentle, representante do movimento contra a guerra e mãe de um soldado morto no Iraque.

Vários militares também saudaram o que consideram um ato de coragem e honradez de seu superior máximo.

A Casa Branca, por sua vez, disse que pediu explicações a Londres sobre as palavras de seu militar e concluiu que não havia "diferenças de opinião" entre os dois governos.

O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, também negou que seu governo tenha pressionado o militar britânico a se retratar.

"Não, mas ligamos e perguntamos o que o foi dito e recebemos a transcrição de suas palavras", declarou Snow. "O que ele disse é que suas palavras foram tiradas de contexto e que quis dizer, de maneira geral, que a autoridade seria devolvida aos iraquianos quando o trabalho estivesse terminado", acrescentou.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host