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29/10/2006 - 23h07

Um morto e dois feridos na entrada da polícia na cidade mexicana de Oaxaca

Por Pablo Pérez=(FOTOS)=OAXACA, México, 29 out (AFP) - Um manifestante morreu neste domingo e duas mulheres ficaram feridas por disparos durante operação da polícia federal para recuperar o controle da cidade de Oaxaca (sul), tomada por oposicionistas que pedem a renúncia do governador, Ulises Ruiz, afirmou um dirigente da oposição.

"Jorge Alberto López Beranal, participante desta mobilização, foi assassinado com o disparo de uma arma de fogo proveniente das forças federais" e também "duas mulheres foram feridas a bala", assegurou Gustavo Adolfo López, encarregado da ordem e vigilância da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO, esquerda), a organização que lidera o protesto nesta cidade.

Gustavo Adolfo López não deu maiores detalhes sobre o incidente em que o manifestante morreu.

A operação federal começou na madrugada deste domingo com a mobilização de vários contingentes que avançaram por várias artérias da capital de Oaxaca, 450 km ao sul da Cidade do México, e horas mais tarde tomaram o centro histórico, símbolo do protesto.

Segundo a APPO, foram detidos 50 manifestantes que defendiam algumas das centenas de barricadas espalhadas pela cidade e arredores.

Com a morte de López Baranal são nove os mortos desde o início do conflito, em junho - três deles na sexta-feira passada -, o que motivou o presidente Vicente Fox a ordenar no sábado o envio de forças federais para retomar o controle da cidade de 600 mil habitantes.

Durante o avanço dos policiais pelas centenas de barricadas instaladas na cidade pelos manifestantes foram registrados alguns confrontos.

Um destes confrontos, que durou aproximadamente uma hora e meia, ocorreu quando 300 manifestantes tentaram deter a passagem de cinco tanques com canhões d'água e foram dispersados com gás lacrimogêneo, constatou um jornalista da AFP no local.

Enquanto isso, os dirigentes da APPO deixaram seu acampamento principal, na praça central da cidade, o Zócalo, enquanto policiais se preparavam para entrar no passeio público, coração do centro histórico, para onde voltaram para celebrar um ato com a participação de dois mil militantes.

A APPO, que reúne meia centena de organizações de esquerda, instruiu a seus militantes que não enfrentem as forças de segurança nas centenas de barricadas que espalharam por Oaxaca (450 km ao sul da capital), desde que o protesto se radicalizou, em junho passado, embora alguns grupos não tenham acatado a decisão e enfrentaram os uniformizados.

Depois de vários dias de silêncio, o governador Ruiz reapareceu neste domingo e insistiu que a apresentação de sua renúncia, exigida pela APPO, "não é a solução, nem a discussão".

Em declarações à W Radio, Ruiz minimizou o protesto oposicionista ao afirmar que o movimento tem o apoio de 3.500 pessoas e atribuiu a "grupos radicais" o pedido de sua demissão.

A Polícia Federal Preventiva também recuperou alguns escritórios públicos que haviam sido ocupados pelos manifestantes como protesto.

As forças federais chegaram a Oaxaca por ordem do presidente Vicente Fox, depois de a sexta-feira ser registrada como o dia mais violento desde o início do conflito, com um saldo de três mortos a tiros, entre os quais um cinegrafista americano.

Enquanto isso, uma marcha da APPO se dirigia para o Zócalo para celebrar um ato e depois se retirar.

Antes, 400 jovens armados com paus e canos se desprenderam da marcha central que a princípio se dirigia à sede da rádio Universidad, a única que mantém a APPO sob controle, e chegaram até perto do Zócalo, onde a polícia os repeliu com bombas de gás lacrimogêneo.

O porta-voz da APPO, Florentino López, havia dito na manhã de domingo à AFP que quando a polícia chegasse às centenas de barricadas disseminadas pela cidade de 600 mil habitantes e arredores "os companheiros se retirarão".

Os uniformizados também recuperaram alguns escritórios públicos que haviam sido ocupados por manifestantes como parte de seu protesto.

O conflito em Oaxaca começou em 22 de maio passado com uma greve de professores - que será suspensa na segunda-feira - e se ampliou em 14 de junho, após uma violenta repressão, com a soma da APPO ao protesto que exige a renúncia de Ruiz.

Os ativistas, tanto professores quanto integrantes da APPO, insistiram em que o pedido de renúncia de Ruiz "não é negociável" e que está à margem da volta às aulas.

Flavio Sosa, dirigente da APPO, disse à AFP que uma comissão independente do movimento, encabeçada pelo bispo emérito Samuel Ruiz, reconhecido por sua participação nas negociações com o Exército Zapatista de Libertação Nacional, propôs criar uma mesa neste domingo ou na segunda-feira na Cidade do México.

Em outro episódio, os ativistas retiveram doze militares à paisana que, com atitude "agressiva" tentavam atravessar uma barricada, mas asseguraram que nas próximas horas os homens serão entregues ao comando do quartel, segundo o porta-voz da oposição.

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