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11/11/2006 - 13h22

Mahmud Abbas anuncia um gabinete de unidade para antes do fim do mês

Por Nasser Abou Bakr=(FOTOS)= RAMALLAH, Cisjordânia, 11 nov (AFP) - O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, anunciou neste sábado a criação de um governo de união nacional para antes do final de novembro, o que poderá permitir a suspensão do bloqueio internacional.

Ante milhares de palestinos reunidos em torno do mausoléu de Yasser Arafat em Ramallah, por ocasião do segundo aniversário da morte do líder palestino, Abbas também recordou que não haverá paz "sob a ocupação israelense".

"Se Israel quiser paz, deve aplicar as decisões internacionais e se retirar dos territórios palestinos e árabes até a linha verde de 1967, assim como reconhecer nossos direitos nacionais", acrescentou.

"A paz e a segurança não serão conseguidas sob a ocupação, a colonização e a anexação de Jerusalém por parte de Israel. O povo palestino não abandonará nem um centímetro de sua terra nem, antes de tudo, Jerusalém", disse Abbas.

"Chegou o momento de o governo israelense se dar conta que a continuação da ocupação e da colonização de nossas terras é algo impossível e que a força militar, por mais poderosa que seja, não enfraquecerá a determinação de nosso povo em resistir", acrescentou o presidente.

A União Européia e os Estados Unidos decidiram congelar a ajuda que enviam à Autoridade Palestina até que o Hamas, que consta de suas listas de organizações terroristas e lidera o governo palestino, renuncie à violência e reconheça Israel.

Estas medidas agravaram a crise econômica e social nos territórios palestinos, onde os funcionários da Autoridade Palestina não recebem salários há meses.

"Também tenho uma boa notícia para o nosso povo: fizemos um grande avanço para a formação de um governo de união nacional que possa vencer o bloqueio e abrir um horizonte rumo a uma solução política, com o objetivo de pôr um fim para sempre na ocupação", disse Abbas.

"Este governo verá a luz antes do fim do mês", acrescentou o líder palestino, depois de ter se reunido quatro vezes nesta semana com o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, que falou publicamente sobre a possibilidade de renunciar a seu cargo para que o Ocidente suspenda o bloqueio contra os palestinos.

Abbas não deu detalhes sobre a criação do governo, alvo de árduas negociações há mais de cinco meses, enquanto que o processo de paz israelense-palestino se encontra estancado há vários anos.

Desde a captura, em junho passado, de um de seus soldados por parte de grupos palestinos, o exército israelense realiza uma ofensiva na Faixa de Gaza.

Disparos de artilharia deixaram 19 mortos na quarta-feira, oito deles crianças, em Beit Hanun (norte da Faixa de Gaza), um ataque que, segundo Israel, aconteceu por causa de "um erro técnico" e que despertou a indignação em todo o mundo.

Israel afirma que suas operações militares buscam pôr fim aos disparos de foguetes palestinos contra o sul de seu território.

"O sangue de nossos mártires em Beit Hanun, o sangue das mulheres e crianças assassinadas nesse massacre ignóbil israelense ainda não secou. Perguntamos ao mundo que direito e que justiçam autorizam a Israel matar civis, crianças, mulheres e idosos?", questionou Abbas.

"A paz é impossível quando ministros, deputados e chefes de municipalidades são reféns das autoridades militares israelenses", acrescentou, em alusão à prisão de vários dirigentes do Hamas depois da captura do soldado.

Abbas também exigiu conhecer a verdade sobre a "obscura enfermidade" sofrida por Arafat, que faleceu em 11 de novembro de 2004 num hospital francês.

Desde então há um mistério e vários palestinos estão convencidos de que seu chefe morreu envenenado por Israel, que o considerava "um obstáculo para a paz".

Estas acusações foram categoricamente desmentidas por Israel e pelos médicos franceses que examinaram Arafat pouco antes de sua morte, aos 75 anos.

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