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30/11/2006 - 10h50

Venezuelanos votarão em pleno 'boom' econômico impulsionado pelo petróleo

Por Nina Negrón CARACAS, 30 nov (AFP) - Os venezuelanos votarão no próximo domingo com um índice de crescimento de sua economia dos mais altos do mundo - 10,2% no terceiro trimestre de 2006 - impulsionado pelos preços do petróleo, apesar de o PIB per capita equivaler ao de 1998, quando Hugo Chávez foi eleito presidente.

A economia venezuelana registra 12 trimestres consecutivos com alto crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), apoiado num importante nível de gasto público e no aumento do consumo, investimento e crédito.

No entanto, o PIB per capita (4.800 dólares ao ano) é equivalente ao de 1998, quando Hugo Chávez foi eleito presidente pela primeira vez, assinala o economista Pedro Palma.

"O PIB per capita, medido em bolívares constantes, só será similar ao de 1998, que foi um ano ruim, no qual se refletia a crise dos preços do petróleo e as seqüelas das falências bancárias de 1994 e 1995", afirmou Palma à AFP.

O PIB per capita da Venezuela é inferior aos que registram países como o México e o Chile, mas supera os da Colômbia e Argentina.

"Os altos índices de crescimento só conseguiram nos tirar do baque que significaram os anos 2002 e 2003, nos quais, por efeito da conflito político e da estagnação petroleira, a contração foi dramática", afirmou o economista.

Em 2003 a economia venezuelana caiu a 9,2% e em 2002 a 8,9%. Para 2007, o governo do presidente Hugo Chávez espera um crescimento de PIB de 5% a 7%.

Segundo Palma, é preciso manter uma taxa de crescimento de 6% durante vários anos consecutivos para que possam superar os níveis de pobreza, "mas aí surge uma dúvida porque as altas recentes se devem à bonança petroleira".

De acordo com o último informe de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas par ao Desenvolvimento (PNUD), 31% da população venezuelana se encontra em situação de pobreza ou pobreza extrema.

"Na Venezuela a economia depende de um fator muito volátil como os preços do petróleo, o que nos torna muito vulneráveis. Para conseguir estabilidade, é preciso a colocação em prática de um plano de desenvolvimento integral, com um rumo claro para 40 ou 50 anos, que fomente os investimentos e gere emprego estável", afirmou o economista.

No entanto, o presidente da Comissão de Finanças da Assembléia Nacional, Rodrigo Cabezas, destaca que o governo não considera o cenário da queda dos preços do petróleo.

"O crescimento que está sendo registrado na China e na Índia indica que a demanda prosseguirá. Entramos numa etapa de bonança na qual a demanda petroleira não diminuirá", afirmou Cabezas.

Dessa forma, o orçamento da Nação para 2007 será de 53,5 bilhões de dólares, 13,035 bilhões de dólares a mais que o atual.

Além disso, a economia venezuelana, submetida a um rígido controle de câmbio de moedas com uma taxa fixa há dois anos, aumentou de maneira importante suas importações, em detrimento da indústria nacional.

No terceiro trimestre de 2006, as importações cresceram 37% e alcançaram 8,591 bilhões de dólares, segundo as cifras do Banco Central. Em contraste, as exportações só aumentaram 11,6% (17,4 bilhões de dólares).

Ao comentar os números, José Luis Betancourt, presidente da cúpula empresarial Fedecámaras, assinalou que o país voltou ao 'boom' petroleiro.

"Mas isso está baseado em recursos financeiros e nada mais. Não se está gerando riqueza. Não podemos falar de crescimento sustentável, apesar de que muitas empresas estão operando a 90% de sua capacidade instalada", concluiu.

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